A magia do vinho
 

Sidnei Brandão e sua esposa Larissa Velloso em um momento especial marcado e enaltecido pelo vinho, em Bellagio, Itália

 


Caros amigos,

É um grande prazer poder participar do Acontece em Alphaville, e ter a oportunidade de compartilhar com vocês, todos os meses, um pouco da paixão que tenho por esta bebida mágica. Creio que compreenderão a dimensão da minha felicidade ao termino da leitura desta edição.

Nesta coluna procurarei levar a vocês muitas informações de como obter o máximo prazer com o vinho, sem complicações, com dicas de como comprar, o que comprar, quando comprar, quando abrir, como definir o seu paladar e o seu vinho, como harmonizar pratos e vinhos, como servir, como guardar, enfim, tudo o que vocês precisam saber para aproveitar melhor estes momentos. Mas nesta edição inaugural, achei que devia me estender um pouco mais sobre esta magia que o vinho exerce sobre nós.

Creio que nunca se falou ou escreveu tanto sobre o vinho como nos últimos anos. Na realidade o vinho sempre acompanhou a historia da humanidade e inclusive grandes poetas e personalidades políticas já retrataram sua paixão pelo vinho.

Existem muitas maneiras de guardar as suas memórias ao longo do tempo. Alguns escrevem um diário, outros colocam fotos em álbuns e, mais recentemente, outros registram estes momentos no seu blog.

Amantes do vinho tendem a manter suas lembranças vivas através das garrafas que eles abrem. Quantos de vocês não têm uma ou algumas garrafas vazias em uma prateleira, marcando um importante momento na sua vida? Algumas destas inclusive assinadas pelas pessoas que compartilharam com você aquele momento. O vinho se foi, mas a lembrança dele permanece, mantendo a experiência ainda presente.

Alguns guardam os rótulos de grandes vinhos, colecionando-os em álbuns especiais anotando os detalhes de quando foram consumidos, a companhia, a comida e notas de degustação. Isto requer algum esforço, mas certamente fica mais organizado e ocupa muito menos espaço do que uma prateleira de garrafas.

Alguns colecionadores, incluindo este colunista, mantém um registro de todas as garrafas que entram (e saem) de sua adega. As bases de dados devem incluir o preço de compra, o preço atual (alguns vinhos valorizam muito com o tempo), avaliação da Revista Wine Spectator ou do crítico Robert Parker, mais informações pessoais como quando foi bebida, com quem, e como harmonizou com a comida. Muitas adegas de alto nível possuem inclusive um computador para manter estes dados.

Porque nos damos ao trabalho de registrar os vinhos que bebemos, e de guardar algo tangível de uma experiência momentânea?

O vinho enaltece a experiência do momento. Quando, mais tarde, você se deparar com este rótulo, certamente se lembrará da ocasião em que o bebeu. Quando uma garrafa é aberta e compartilhada, a memória gustativa se funde com a memória pessoal, daquele momento. É como uma fotografia, mas as informações são dos aromas e dos sabores, sensações de alguma forma mais profundas e complexas. E quanto mais vinhos você experimenta, mais claramente cada um lhe diz algo. Construindo um contexto de memória e comparação, você aprenderá a entender o caráter único de cada garrafa que você abre.

Caros amigos, o que pretendo aqui é compartilhar um pouco de minha paixão e experiências enogastronomicas, e dentro dos limites do meu conhecimento levar até vocês muitas informações e dicas sobre esta bebida mágica.

 
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E como não poderia ser diferente, quero terminar esta coluna sempre recomendando um vinho que provei recentemente, e desta vez foi um Pinot Noir, uva que é originária da Borgonha – França, e que produz talvez os vinhos mais sedutores e delicados do mundo. A Pinot Noir tem se adaptado extraordinariamente bem nas terras mais frescas e altas, e a garrafa a que me refiro é o Enrique Mendoza – Pinot Noir 2003 (R$ 65,00) vinho espanhol da região de Alicante.

Apesar de não ser um Borgonha, este vinho demonstrou bastante complexidade, com muita fruta e frescor, e mais elegante do que os feitos no Novo Mundo com esta mesma uva. Notas de amoras e rosas, é uma grande escolha para acompanhar pratos a base de aves como perdiz, codorna ou frango e até mesmo peixes de sabor mais forte como salmão, e deve ser servido a 16ºC.

Saúde!