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O
Chile e a uva Carménère
O Chile é hoje um dos principais países
produtores de vinhos finos, que ainda são os preferidos
dos brasileiros, pois 34% dos vinhos aqui consumidos são
chilenos.
Assim como nos demais países do Novo Mundo, as
castas francesas foram trazidas para o Chile no início
do século XIX, incluindo a Cabernet Sauvignon,
Merlot, Malbec, Cabernet Franc e a então “tímida”
Carménère, muito utilizada em Bordeaux para
cortes (ou assemblage) com outras uvas.
Em 1860, os vinhedos franceses foram dizimados por uma
praga devastadora, chamada “filoxera”,
que ataca somente raízes nobres (vitis vinífera).
Descobriu-se então que esta praga não atacaria
raízes americanas e |
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assim
a França reiniciou o replantio de seus vinhedos,
enxertando as vinhas nobres nestas raízes. Este
processo fez renascer os principais vinhedos e castas
na França, mas a Carménère não
vingou, tendo sido declarada como extinta.
Após a queda de Pinochet, em meados dos anos 80,
e com o retorno da democracia e estabilidade econômica,
muitos produtores internacionais iniciaram seus investimentos
no Chile, que, devido às suas condições
climáticas muito favoráveis, era ideal para
elaboração de vinhos de forma econômica
e de boa qualidade.
Os resultados destas iniciativas foram surpreendentes
e o Chile tornou-se conhecido pelos seus vinhos de bom
custo-benefício. Devido às condições
de clima e solo muito favoráveis, as uvas francesas
se desenvolveram muito bem e, pelo que se sabe, a filoxera
que destruiu muitos vinhedos na Europa, não consegue
se desenvolver no Chile.
Neste ambiente tão abençoado, a Carménère
se desenvolveu de forma espetacular e ao longo dos anos
foi confundida e vinificada como Merlot.
Em 1994, o enólogo Frances Jean Michel Boursiquot
apresentou um estudo identificando a Carménère
e posteriormente testes de DNA comprovaram sua tese. A
partir de então a Carménère recuperou
seu verdadeiro nome e se tornou a uva emblemática
do Chile, já que estava extinta no restante do
planeta.
Diferentemente do que se conseguia na França, onde
era usada predominantemente para cortes, o Chile produz
varietais (100% produzidos com esta uva) espetaculares
com esta uva, muito estruturados, com toques vegetais
e especiarias, ideais para acompanhar carnes fortes como
cordeiro, massas com molhos condimentados e queijos tipo
parmesão.
A Carménère não é uma uva
de fácil vinificação, pois precisa
ser colhida no seu ponto ideal de maturação
para o vinho não se tornar excessivamente herbáceo
ou alcoólico. |
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Os
melhores Carménère chegam a ter um toque
doce em seu aroma e na boca podem apresentar algumas notas
de chocolate.
O primeiro grande Carménère que provei e
de que nunca esqueço, foi um Terrunyo 1999, produzido
pela Concha Y Toro. Encorpado, sedoso e complexo.
Hoje temos ótimos Carménère disponíveis,
com bons preços. Recomendo experimentar os seguintes:
Santa Rita Reserva Carménère (R$ 54,00)
- este reserva tem complexidade de aromas e elegância
no paladar.
Concha Y Toro Gran Reserva Carménère –
2007 (R$ 65,00) – um dos melhores custo beneficio
da atualidade.
Tabalí Reserva Carménère 2007 (R$
54,00) - em 1993 foi concebida como vinícola Boutique
por Guillermo Luksic destinada a produzir vinhos premium
com uvas provenientes unicamente de seus próprios
vinhedos.
Concha Y Toro Terrunyo Carménère 2006 (R$
189,00) - este vinho foi qualificado com 92 pontos pela
revista norte-americana Wine Spectator, ocupando o 63º
lugar dos Top 100 Wines of the Year 2009. E marca a estreia
da cepa Carménère neste influente ranking.
Carmin de Peumo Carménère 2005 (R$ 545,00)
- a Concha Y Toro produz hoje seu vinho top feito
100% com a uva Carménère, considerado um
dos melhores vinhos Chilenos Trata-se do Carmin de Peumo,
vinho raro e caro, mas que vale a pena experimentar (Robert
Parker concedeu 97 pontos a este vinho).
A uva Carménère também é hoje
muito utilizada em cortes, e grandes vinhos chilenos,
como o Almaviva, a utiliza cada vez mais.
Enfim a lista dos Carménère é felizmente
longa, e esta casta que teve suas originais na França
é hoje tipicamente chilena.
Vale lembrar que esta revolução da Carménère,
é uma história muito recente, apenas 15
anos, ou seja, a natureza certamente ainda nos reserva
outras maravilhas para este mágico mundo dos vinhos.
Saúde! |
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