Consuello Matroni: amor pelo lixo reciclável

CDs, pneus, embalagens plásticas e radiografias são alguns dos materiais utilizados pela artista plástica
 
 
Observando os ofícios da família na infância, a artista plástica Consuello Matroni aprendeu com facilidade a costurar, bordar e tricotar, e a fazer as próprias roupas. Durante sua formação acadêmica, desenvolveu interesse pelas artes e pelo meio ambiente e, ao conhecer a coleta seletiva, foi motivada a trabalhar com material reciclável. “Para adaptar os materiais, fui até uma loja de bijuterias onde encontrei as ferramentas necessárias para a confecção das peças. A partir de então, comecei a usar material reciclado para fazer roupas. As primeiras peças que fiz foram um colete e um vestido de noiva”, lembra Consuello.
 
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Blusa feita com embalagens de amaciante e fundo de latinhas
 
Top de crochê de
fita cassete
 
Cortando pedacinhos de recipientes e resíduos plásticos, Consuello cria um design colorido com materiais que podem variar de CDs, pneus e até cartas de baralho. Para a confecção das peças, faz uma trama e desenha formas e cores, que levam até um mês para ficarem prontas. Com este trabalho, ela realiza desfiles oferecendo alternativas ecologicamente corretas e ressaltando a importância de se fazer a coleta seletiva. Além disso, é arte educadora e ministra oficinas sobre a técnica para contribuir na geração de renda das pessoas.
 
Pala feita de radiografias e embalagens plásticas
 
A artista gosta de desafios para criar peças novas e diferentes usando materiais diversificados. Seu primeiro material reciclável foi a pet, depois as embalagens plásticas, radiografias, fitas cassetes e CDs. Hoje faz roupas misturando esses materiais utilizando novas formas de cortes e encaixes. “Vejo que ainda tenho muito a fazer e a cada dia tenho novos desafios. Tenho todas as peças de roupas que eu produzi até hoje, é meu acervo”, comenta.

Consuello explica que a coleta do material reciclável para a confecção das roupas começa dentro de casa e que recebe doações de familiares, amigos, vizinhos e empresas. “Faço a separação, pesquisa e limpeza. Uma parte, minha sogra corta do tamanho e forma que crio. Depois armazeno em potes reciclados transparentes para utilizar no futuro próximo”.
 
 
Bolsa confeccionada com
embalagens de shampoo
 
Bolsa feita com
fios de telefone
 
As roupas são desenvolvidas conforme a quantidade de material e cores que vai armazenando. Usa sua experiência em tricô, crochê, bordado, macramê, pintura, escultura, corte e costura para desenvolvê-las. À técnica que desenvolveu deu o nome de “Reciclotô”, pois não é tricô e nem crochê, apesar de utilizar em algumas peças a mistura dessas. “Eu me defino como uma ‘recicloteira’. Dedico minha vida a pesquisar, criar, ensinar e divulgar minha técnica e a importância da reciclagem”, explica.

Com a divulgação dos seus desfiles, mostras e oficinas, Consuello quer despertar uma nova consciência nos espectadores de uma maneira direta e diferente da convencional, sem muita conversa, mostrando na prática essas roupas de material reciclado com novas formas e volumes. Assim, espera uma mudança nesse público, em suas atitudes em relação ao problema do lixo, sua reciclagem, e consequentemente, da escassez e da contaminação das águas e do meio ambiente. “Minhas peças são mais do que um artesanato, são obras de arte que criei com o propósito de mostrar que o lixo reciclável tem que ser tratado não como lixo, mas como uma fonte que pode gerar renda usando a criatividade que, graças a Deus, é infinita”, conclui a artista plástica.
 
 














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Contato:
Consuello Matroni
Fone:
11 2409-2768 / 9953-8667
consuellomatroni@yahoo.com.br
www.consuellomatroni.com