Transtorno Afetivo Bipolar

A doença é grave e é preciso aceitá-la para se tratar adequadamente

O transtorno afetivo bipolar é uma doença crônica, grave e que atinge de 1 a 3% da população mundial. Traz grandes prejuízos na vida pessoal, profissional, nas relações afetivas e familiares dos pacientes acometidos por essa patologia. O tratamento medicamentoso, especialmente com lítio, trouxe uma grande melhora na vida desses pacientes. Mas este medicamento sozinho é insuficiente para combater os efeitos desastrosos da doença. A compreensão dos aspectos psicológicos do transtorno permitiu acrescentar outras abordagens possíveis para o tratamento, como as diferentes modalidades de psicoterapia, de orientação e de grupos psicoeducacionais.

A psicóloga Maria Tereza Rodrigues Pereira explica um pouco mais sobre esse transtorno.

AA: O que é TAB?
MT: TAB (Transtorno Afetivo Bipolar) é um estado depressivo que altera o humor de seus portadores, fazendo-os passar da depressão à euforia ou mania (em psiquiatria, significa um estado exaltado de humor) com muita facilidade. Trata-se de uma doença crônica, que afeta principalmente o sexo feminino.

AA: Como pode ser identificado?
MT: Normalmente o primeiro sintoma é de depressão ou agressividade. Não se sabe determinar a partir de que idade o TAB pode surgir, mas é sabido que crianças podem ser portadoras manifestas. É sem dúvida um diagnóstico difícil, porque a Hiperatividade e o Déficit de Atenção necessitam ser descartados antes. Há diferentes intensidades de manifestação do TAB. Observam-se desde pessoas que apresentam comportamentos inadequados, até aqueles agressivos, violentos, com idéias delirantes e possíveis alucinações. A grande maioria dos portadores de TAB, quando tratada adequadamente, tem vida normal.

AA: Como surgiu?

MT: Esse transtorno é uma doença mental que, hoje sabemos, é muito mais comum do que se pensa. Antigamente, era conhecido como P.M.D. (Psicose Maníaco Depressiva). Após a nova classificação do Código Internacional de Doenças (CID), passou a ser denominado Transtorno. Assim, seu diagnóstico ficou muito mais fácil, até porque sintomas psicóticos podem não ocorrer no TAB.


A: Qual a causa da doença?
MT: A causa propriamente dita é desconhecida, mas há fatores que influenciam ou que precipitam seu surgimento, como parentes que apresentam esse problema, traumas, incidentes ou acontecimentos importantes, como mudanças, troca de emprego, fim de casamento, morte de pessoa querida. Em aproximadamente 80 a 90% dos casos, os pacientes apresentam algum parente na família com transtorno bipolar.

A: Qual o tratamento?
MT: É de extrema importância que um médico PSIQUIATRA seja o responsável pela medicação e um TERAPÊUTA HABILITADO pela psicoterapia. O portador de TAB tende a negar a doença, principalmente quando está eufórico. Porém, nos episódios depressivos aceitam o tratamento. Mas, logo que o estado depressivo é redimido, ele abandona o tratamento, considerando-se curado. Assim, é essencial que os familiares estejam esclarecidos e bem orientados sobre o TAB, a fim de que o paciente não abandone o tratamento até que se consiga a sua conscientização da doença.

 






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Maria Tereza Rodrigues Pereira
Psicóloga
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