Caríssimos
leitores,
Sem a menor sombra de dúvida, o mês de julho
representa, tanto para os paulistas, quanto para todos
os brasileiros, o marco inicial de uma luta incansável
pelo fortalecimento das Instituições Democráticas.
Já na década de 30, muitos brasileiros iniciavam
uma mobilização em prol daquilo que é
de primordial importância para uma Nação,
qual seja, uma Constituição Federal.
Sem ela, jamais conseguiremos manter e sustentar um Estado
Democrático de Direito.
Para tanto, apresentamos o artigo a seguir buscando fazer
um alerta sobre o nosso dever moral perante aqueles que
lutaram, sofreram e morreram em defesa de uma Constituição
Federal, bem assim, a nossa necessária obediência
às Normas Constitucionais.
É oportuno ressaltar que o nosso posicionamento
é eminentemente técnico, exclusivamente
sob o aspecto jurídico, e com base em fatos noticiados
todos os dias pela mídia, não tendo, de
forma alguma, qualquer conotação política,
ou outra, que possa atribuir responsabilidade a alguém,
a alguma instituição ou algum seguimento
da sociedade, em específico.
Temos a única finalidade de alertar os cidadãos
e as cidadãs, sobre a fundamental importância
de uma Constituição Federal, e demonstrar
o sacrifício e o sofrimento de tantos para que
hoje pudéssemos viver numa Democracia e sob o teto
de Instituições sólidas.
Boa leitura!
Dr. José Almir
Presidente da 117ª Subseção da OAB/SP
– Barueri |
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De
9 de julho de 1932 a 5 de outubro de 1988 – Tudo
por uma Constituição Federal
O “Nove de Julho” comemora não apenas
o heroísmo dos paulistas em prol de uma Constituição
Federal, simboliza mais o início de uma luta que
teve “altos e baixos”, por cinqüenta
e seis anos, até que, finalmente, tivéssemos
o sonho realizado, com a promulgação da
nossa Carta Política da República.
E não é apenas o então Presidente
da Assembléia Nacional Constituinte, nosso saudoso
Doutor Ulisses Guimarães, que sentia “nojo
da Ditadura”, nós também sentimos,
principalmente aqueles que passaram por algum dos Regimes
de Exceção que o País atravessou.
Bom lembrar, neste instante, a lavra do também
saudoso Congressista e Constituinte, Dr. Ricardo Izar
(advogado de profissão), em sua obra: “Constituição
e Você”, que assim nos alertou: “...
O preâmbulo é da maior importância,
pois apresenta a síntese da filosofia em que se
baseia a Constituição Expressa, portanto,
as diretrizes para o desenvolvimento dos trabalhos, ou
seja, os valores políticos, sociais e éticos
adotados, ordenando a sua interpretação...”.
E na apresentação de sua obra, diz o seguinte:
“Ultrapassamos a grande etapa. O momento seguinte
será impedir que a nova Carta se torne apenas um
documento impresso, distante do alcance de suas finalidades.
Inacessível, como Instrumento, aos seus destinatários.........
O conjunto da História, como o conjunto da vida
e dos fatos, é uma somatória de circunstâncias.
Neste instante |
podem
orgulhar-se da Carta Magna que têm.......... É
o nosso retrato de corpo inteiro, no qual a química
da realidade revela qualidades e defeitos. Como quem olha
sua própria fotografia e imagina suas belezas.........
Descobre, no entanto, algumas feiúras que o amor
próprio não consegue disfarçar. O
importante agora é transformá-la no instrumental
que nos acompanhe ao desenvolvimento. Que antecipe o tempo,
destruindo bloqueios, dúvidas, incertezas e medos”.
Em que pese todo o esforço e sacrifício
de muitos ao longo de tantas décadas, hoje ainda
assistimos a certas resistências, mormente no que
concerne a um dos fundamentos da nossa Lei Maior, a dignidade
humana.
Constantemente, testemunhamos todo tipo de preconceito
e discriminação, seja de cor, raça,
sexo, etnia, orientação sexual, classe social,
etc.
Com a mesma freqüência, constatamos que alguns
cidadãos e algumas cidadãs se valem de uma
garantia constitucional para praticarem a violência
doméstica. Oportuno lembrar que, no momento em
que a Constituição Federal afirma que a
casa é o asilo inviolável do indivíduo,
isto se destina, única e exclusivamente, para assegurar
a sua privacidade e intimidade, e não, para servir
de “escudo” para a prática de ações
delituosas.
Mais ainda, a nossa Carta Magna, estabelece que a família
é a base da sociedade, (CF – Art. 226). Significa
dizer que, aqueles que praticam a violência doméstica,
além fazer ruir uma família, (o que, por
si só, já é grave demais), estão
“minando” as estruturas de toda uma Sociedade.
Tudo isto sem falar que estamos, com a exploração
infantil, enfraquecendo e levando à falência
o futuro do nosso País, quando a Norma Constitucional
determina que é dever de todos, (família,
sociedade e Estado), proteger a criança e o adolescente,
(CF – Art. 227).
E não pensemos que isto é tudo, pois, é
pior ainda quando assistimos a alguns congressistas, a
alguns outros representantes da sociedade se esquecerem
de mais uma Garantia Constitucional, que diz: “...Nenhuma
passará da pessoa do condenado...”,
(CF – Art. 5º, Inc. XLV). O significado amplo
deste dispositivo constitucional é o de que ninguém
poderá ser punido pelos erros dos outros.
Ora, com o Projeto de Emenda Constitucional que pretende
reduzir a maioridade penal, aqueles que são favoráveis
estão tentando atribuir ao menor infrator uma culpa
que é nossa, os adultos de toda a sociedade.
Analisando com maior e melhor profundidade a questão,
chegaremos à conclusão de que o menor infrator
não pode ser visto como uma “vítima”,
e sim, como o “resultado” do que nós,
os adultos de toda a sociedade, fizemos com eles.
Portanto, tenhamos a humildade de reconhecer que, ao lançarmos
uma menor infratora, (no início da adolescência),
em uma cela com 30 homens adultos, para ser submetida
a toda sorte de violência física, moral,
psicológica e sexual, e mais, ao mantermos menores
infratores acorrentados em saguão de Delegacia
de Polícia, os obrigando a fazerem suas necessidades
fisiológicas em garrafas descartáveis de
refrigerante e dormirem no chão gelado, não
estamos cumprindo o Estatuto de Criança e do Adolescente,
levando à nítida conclusão que não
é “a Lei que não funciona”,
mas, nós os adultos, que estamos inertes e estamos
nos valendo de uma desproporção para tripudiar
na criança e no adolescente, o que representa a
mais abominável covardia.
Destarte, tenhamos a humildade de, antes, reconhecermos
os nossos erros, para só depois corrigirmos o menor,
até porque a humildade é irmã gêmea
da sabedoria. Somente assim conseguiremos adquirir a confiança
do menor, sempre dando o bom exemplo.
Devemos alertar que não é dado a ninguém
o direito de deixar escapar esta oportunidade, de fazer
com que a Sociedade Brasileira caminhe para a evolução,
e tenhamos a certeza de que, muito melhor para a memória
daqueles que lutaram, sofreram e morreram, para que hoje
tenhamos uma Constituição Federal, é
que, além de participarmos dos desfiles e festejos
no dia Nove de Julho, a respeitemos.
Um dos inúmeros exemplos de esforço e sacrifício
eu tenho na minha família, meu bisavô materno,
que, aos quase 70 anos de idade, se alistou como combatente
em apoio à revolução Constitucionalista
de 1932.
Cirino Alves da Luz, além de defender uma Assembléia
Nacional Constituinte, preservou a sua família,
pois chamou para si a responsabilidade, seguindo ele o
caminho da batalha, em lugar de seus filhos. Isto porque
ele sabia que seus filhos tinham filhos para criar, e
cito apenas o exemplo de um de seus filhos, meu avô,
que possuía cinco filhas, a mais velha, minha mãe,
com 14 anos de idade, e a mais nova, 3 anos.
Em determinado momento, ele teve que “jogar as armas”,
entretanto, jamais se curvou, e conseguiu o que queria,
qual seja, ver realizado o seu sonho e o seu ideal. Demorou,
mas ele soube esperar e hoje assiste a sua vitória
em outro plano espiritual.
Quantos, como Cirino Alves da Luz, passaram por isso,
para que hoje nós tenhamos uma Constituição
Federal, com o consequente fortalecimento das Instituições
Democráticas! Desta forma, não temos o direito
de “jogar fora” esta oportunidade.
Hoje, ao contrário de Cirino Alves, o meu armamento
já não é composto pelos “fuzis”,
“baionetas” e “granadas”, e sim,
pela “voz”, pela “caneta” e pela
“palavra”. Muito melhor, reconheçamos.
Neste dia Nove de Julho, além de participarmos
dos desfiles e festejos, leiamos a Constituição
Federal e exercitemos o que ali está escrito.
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