Precisamos refletir mais e julgar menos. A reflexão
abre um espaço de clareza dentro de nós,
uma janela para luz, que nos permite sair dos comportamentos
automatizados. Através dela tomamos consciência
de que o piloto automático, e não a nossa
consciência, está escolhendo a direção
e os caminhos que vamos trilhar. Sem falar no excesso
de velocidade que não nos permite desfrutar da
paisagem, dos contrastes, das entrelinhas, daquilo que
fica por trás das aparências, onde realmente
subjazem os verdadeiros sentimentos.
O aprendizado não pode ser circunstancial; não,
o aprendizado é uma escolha. Ele não pode
ser regido por forças exteriores, pois, dessa forma,
você aumenta suas experiências inconscientes
e dolorosas. Sua vida vai rolando no desvio daquele que
é o caminho principal, o que tem afinidade com
os desejos e sentimentos que tornam você “mais
você”.
Quando a vida acontece sem pausas, as influências
externas e os pensamentos recorrentes intoxicam a sua
mente e abrem espaço para que suas respostas se
tornem reativas e emocionais. Você perde o domínio
de suas ações e outra energia passa a comandar
a sua vida. E o pior: faz isso sem que perceba que o faz.
O aprendizado é um processo pelo qual acionamos
o poder de escolher pensamentos e palavras mais positivas,
sentimentos baseados nas próprias aspirações
e ações que valorizem a nossa humanidade.
O mundo está carente de benevolência e compaixão.
Se a humanidade não voltar os olhos para uma visão
mais espiritualizada e amorosa do mundo e das relações
entre os seres, em pouco tempo não terá
mais onde se albergar.
Precisamos criar uma nova vida, precisamos nos tornar
crianças novamente, ouvir aquela vozinha dentro
de nós que reclama por um pouco mais de carinho,
que pede colo, compaixão e ternura. Compaixão
por nós mesmos. Como podemos esperar que os outros
nos enxerguem, se o nosso olho espiritual, muitas vezes,
se perde nas paisagens e não enxerga o próprio
brilho?
O olhar inocente da criança que fomos ainda existe
dentro de nós e se manifesta na pausa... no silêncio...
na liberdade de olhar como se nunca tivesse visto. Do
jeitinho que você fazia quando era pequeno, com
assombro e admiração!
Precisamos desse olhar, precisamos dessa reconciliação...
A nossa criança pode nos guiar nessa direção,
ela pode criar uma ponte entre a mente e o coração,
pois tem o dom de exuberar a paz diante da vida, do outro
e de si mesma.
Liberdade para ela! |