Parafraseando
S. Agostinho, a criança mantém diuturnamente
“esse olhar do coração através
do qual se pode ver Deus”. Sua inocência a
mantém constantemente em estado de graça,
numa alegria natural e benfazeja.
Às vezes confundimos alegria e prazer, mas, absolutamente,
não se trata do mesmo sentimento. O prazer depende
sempre de algo externo, está sempre vinculado a
alguma coisa fora de nós. A chegada de alguém
querido, a compra de um carro, um presente, a viagem dos
sonhos, quem sabe um beijo apaixonado...
A alegria, não; ela não depende de alguma
coisa externa, ela nasce dentro de nós e muitas
vezes nem sabemos como começa, nem como termina.
Não temos o controle sobre ela, mas sabemos perfeitamente
quando ela chega. As coisas ganham um sentido novo, aliás,
passam a ter sentido... tudo se encaixa e viver fica muito
mais leve...
A alegria nos transporta para outros estados de consciência
e através dela podemos sair da prisão da
realidade objetiva de “tempo-espaço”.
Sim, porque, quando você está feliz, as horas
“voam”. Cadê o tempo? E quando você
recorda um momento especial ao lado de uma pessoa geograficamente
distante, ela se faz presente. Cadê o espaço?
A alegria, portanto, quebra a prisão das horas
malvividas e desperta nosso potencial para suprir as necessidades
internas e compreender valores intangíveis como
a espiritualidade e o encantamento pela vida.
Para conquistar esse estado de alma, é preciso
namorar o silêncio e seguir o caminho do coração,
do sentir, do ser... Através da reflexão,
podemos entender melhor a nossa vida e reorganizá-la
de acordo com nossos princípios mais profundos,
despertar talentos adormecidos e muitas vezes esquecidos,
sentir o gosto de estar vivo aqui e agora.
Através dessa presença atenta, podemos eliminar
de nossa rotina todas as coisas, atividades e contatos
que não estão em sintonia com a nossa energia,
abrindo espaço para novas e mais felizes experiências.
A reflexão é um processo prazeroso e permite
que você alinhe seus pensamentos, sentimentos, palavras
e ações.
Através do silêncio, aquele silêncio
de entendimento de você com você mesmo, nasce
a meditação, o exercício da sua essência
em ligação com forças maiores, com
energias superiores. É o oficio de viver intensamente
a busca de nosso divino propósito aqui na Terra
e “recuperar a saúde do olho do coração”.
Dizem que, quando você ora, você fala com
Deus; e quando medita, Ele fala com você...
Aquiete sua mente e procure este espaço interior
na rotina das suas horas.
Fique disponível para viver o presente, pois somente
nele você pode realizar os próprios milagres. |