Transforme-se e seu mundo se transformará
 
 

Sempre tive o desejo de transformar o mundo. Lembro-me que, desde criança, desejava que a minha vida fosse diferente... que tivesse muito mais doce... em todos os sentidos.

Esperava encontrar um aconchego maior e sentir o afeto de meus pais de uma maneira mais explícita, porém, havia sempre uma distância entre o meu mundinho e o deles, que eu não conseguia medir, nem transpor. Fui crescendo, fazia planos de mudanças e, como não conseguia transformar pessoas, eu transformava coisas... fazia arte, pintava, bordava (literalmente) e buscava uma explicação por meio da psicologia e da filosofia, para os sentimentos voluptuosos que permeiam as relações humanas. Como o coração faz tic-tac?

Como melhorar o planeta azul? Como torná-lo mais pacífico e amoroso? Era hora de sair à luta e, com quinze anos, me julgava capaz para esse projeto.

A primeira coisa que quis modificar foram os meus pais... Nada consegui; eles eram felizes, a seu modo. Eu é que observava a vida deles com os meus olhos, e, sob esta ótica, me equivoquei e atraí muitos sofrimentos inúteis. Aos 30 anos, quis transformar meu marido, aos 35, os filhos... Tentativas vãs que só criaram desarmonia, mágoas e instabilidade.

Dizem os xamãs (feiticeiros do norte da Ásia), que as mulheres sonham os sonhos dos homens. Eu achava que estava na hora de as mulheres sonharem seus próprios sonhos, incluindo os sonhos dos homens, é claro. Conta de somar: homens e mulheres tecendo os sonhos do planeta. Bonito, não?

Embora tivesse uma postura positiva e fosse uma criatura cheia de fé na vida, eu sentia um vazio que nada nem ninguém preenchia... Tentar transformar pessoas só me afastava de mim mesma e daquilo que eu amava. Demorei quase quarenta anos para descobrir isso...

A vida sempre acha uma forma de fazer você parar e eu tive a minha: um stress motivado pelo excesso de trabalho ao longo de uma carreira de executiva. Fui obrigada a parar e tive coragem para buscar novas saídas para me conhecer melhor e curar aquela parte doente da alma. Ao percorrer os insondáveis caminhos internos, descobri que a única pessoa que eu poderia transformar neste planeta era eu mesma. Mas não pensem que esta foi uma constatação positiva, na verdade, foi uma atitude de: "eu desisto, o mundo não me compreende".

E o que poderia ter sido apenas uma viagem de adaptação, se transformou numa jornada riquíssima de autoconhecimento, com o aval dos deuses e do Universo! Descobri que eu não era um corpo que tinha um espírito, eu era um espírito que tinha um corpo. A expansão da consciência me levou para um mundo cheio de surpresas e o meu coração se regozijava com coisas que antes nem percebia.

Novos tempos, novos dias e o Universo atraíram para minha vida as pessoas e as experiências necessárias ao meu aprendizado evolutivo. Comecei a entender como meu coração fazia tic-tac e a achar ainda mais fascinante este laboratório chamado vida. Caminho inesgotável, apaixonante e sem volta! Graças a Deus!

A primeira coisa que descobri é que, sempre que buscarmos o amor fora de nós, seremos carentes. A segunda, é que o exercício da generosidade começa em casa, e entenda-se aí, a nossa casa interior. Amar-se, aceitar-se com respeito e consideração, abrindo espaço para que a criança que mora dentro de nós se manifeste e coloque pra fora a nossa verdadeira imagem. Só o espírito, soprando sobre a matéria, pode transformar coisas banais em coisas sagradas.

No exercício dessa liberdade, você se amando e amando os outros como eles são, o seu mundo começa a fluir de uma maneira natural e prazerosa. Aí vai nascendo uma nova fé na vida e na própria capacidade para se fazer feliz.

Quando você se dá conta, o seu mundo mudou... E não foi por revolução, pois esta deixa mortos e feridos, mas por renovação. Uma energia suave que colore a vida e deixa um calorzinho no peito... um aconchego que constrói pontes... pontes de esperança... pontes que conduzem à paz.

As pessoas parecem mais amorosas, “sua família mudou”, todos gostam da sua companhia e adoram ter você por perto. E a liberdade? Ela corre solta nas suas relações, pois aquilo que o seu coração não compreende é entregue para Deus, a Energia Maior, o Universo... sem julgamentos, culpas, castigos ou separação.

Tudo é substituído pela confiança no processo da vida e na tranqüilidade de que, afinal, no final, tudo dará certo. E dá...!

Você respira alegria, confiança, amor próprio... É assim mesmo, o processo é de consciência e renovação... ora somos mestres, ora aprendizes. Aprendizes do amor.

Só podemos transformar o mundo começando por nós mesmos!



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