Sim, possibilidade de amar, de viver o precioso "agora"
com disponibilidade interior para ser feliz. É
a criança que temos dentro de nós, que
conhece o "olhar novo" necessário para
enxergar o que é fundamental na vida. Vamos pedir
emprestados este olhar, a inocência perdida e
o pasmo necessário diante das inúmeras
possibilidades que a vida nos oferece, a cada momento.
Lembra quando você levantava de manhã cedinho
e olhava para o seu agora com uma alegria genuína
e gratuita? Lembra da liberdade que sentia para gostar
ou não gostar das coisas e das pessoas? Um encontro,
muitas vezes banal, tinha um gosto de festa, porque
sua alma estava prenha de alegria e o seu coração
se abria sem medo de experimentar a vida. Tudo fluía
sem controles e julgamentos e você entendia de
felicidade...
Lembra do Papai Noel? A deliciosa ansiedade na véspera
do Natal, o presente sonhado que mil vezes voltava na
memória... e a magia do velhinho carinhoso que
a gente amava e que amava a gente. Que emoção!
Quantos momentos de paixão e encantamento que
a gente sentia e nem se preocupava em explicar... a
gente queria mesmo era viver, muito... na hora... sem
guardar nadinha pra amanhã.
E quando você conheceu o mar? Ele era muito maior
que você, ele não cabia nos seus olhos,
por mais que você se esforçasse em enxergá-lo,
o mar tinha um tamanho difícil de entender...
Você não media as coisas pelo "metro"
dos outros, você tinha a sua própria medida
e entendia de liberdade... Ah! E a véspera da
viagem, a malinha pronta, os olhinhos acesos, lembra?
Você não ia pra Lua, você só
ia pra Santos!!! Mas a sua alma vibrava de emoções
escancaradas de prazer e se revestia de uma felicidade
possível e merecida.
Você não tinha tantas expectativas e se
entregava sem escudos, o peito aberto às possibilidades...
todas elas, sem preconceitos, sem idéias pré,
livre, permitindo que as pessoas se apresentassem e
os acontecimentos fluíssem... que a vida acontecesse.
Aí o tempo foi passando e você foi crescendo
e se esquecendo de si, esquecendo da magia... do encantamento...
e foi assim que aconteceu com você, comigo, com
os amigos, ficamos indisponíveis ao novo, às
surpresas, ao fator desconhecido que sempre atua e nos
surpreende mudando o jogo.
Como no primeiro baile de uma jovem que saiu de casa
para encontrar o príncipe encantado na primeira
dança, expectando "tudo" e vivendo
quase nada. Se o príncipe por milagre aparecesse,
ainda assim seria necessário que a escolhesse.
E, se a escolhesse, ainda seria necessário que
gostasse da escolha e quisesse continuar nela. A felicidade
dependia sempre do príncipe, não lhe pertencia...
Se essa jovem saísse com "aquele olhar novo"
que a sua criança conhecia e dominava, sairia
das expectativas vãs e curtiria a noite, o vestido
novo, o prazer da música, da dança e voltaria
para casa preenchida de momentos felizes. Poderia até
mesmo encontrar o "príncipe", mas ele
não seria a única coisa importante da
noite, muito menos o detentor de sua felicidade. Quando
não estamos inteiros, não conseguimos
criar amor, só criamos reféns.
Crescemos e acreditamos que a nossa criança ficou
no nosso passado; mas, não é verdade,
nossa criança está dentro de nós
e é ela quem reage com exageros quando somos
tocados em nossas feridas que ainda não cicatrizaram.
É ela que se relaciona com a parte emocional
dos nossos relacionamentos, por isso, às vezes
reagimos de uma forma que não entendemos racionalmente.
É que a nossa criança sofre quando nos
envolvemos em situações que ficaram mal
resolvidas no passado. Também é ela quem
entende de felicidade e tem a chave do divino em você.
"Deixai vir a mim as criancinhas..."
Conhecemos o caminho e já vivemos esse encantamento,
o assombro... a paixão... pequenos gestos...
pedaços de vida que marcaram nossa existência
para sempre. Temos uma testemunha desses momentos inesquecíveis
e ela mora dentro de nós: a criança que
temos ainda vive e tem poderes para resgatar a nossa
essência e transformar a nossa vida. Ela entende
de plenitude e tem a liberdade necessária para
expectar menos e amar mais. Ela conhece o território
e têm o mapa do tesouro perdido nas buscas e desencantos
da jornada, pedaços de alma que fomos deixando
distraidamente sem saber que eram essenciais... desejos
que abandonamos, sonhos que não sonhamos, sementes
de vida que arrancamos por medo ou inércia...
Mas ainda há tempo, toda magia perdida pode ser
resgatada, se dermos ouvidos a esse ser tão conhecido
e amado, que se expressa no silêncio das horas
em que você cala as vozes da crítica, da
expectativa, dos julgamentos vãos, do ego exacerbado.
Permita que essa sua luz se derrame sobre sua personalidade,
criando um novo ser, capaz de sentir e executar o seu
divino propósito na terra. Ela sabe de sonhos
e de esperança, ela é fonte inesgotável
de amor e de vida verdadeira. Converse com ela, bem
baixinho, no silêncio das horas, sempre que você
estiver muito triste ou muito alegre. Ela vai responder...
Se você quiser saber muito mais de fé e
de alegria, pergunte à sua criança: ela
pode lhe contar como é Deus, se você já
se esqueceu...
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