Ser feliz para fazer feliz!
 

Feche os olhos e reveja o filme da sua vida, a começar pela infância, a criança que você foi e que sonhava, imaginava, desejava...

Você consegue imaginar uma cena de sua mãe dizendo que é importantíssimo que você se conheça, que descubra quem realmente é e do que precisa para se fazer feliz? Ou seu pai, bem sério, quase que coloquial, dizendo que você é a pessoa mais importante do mundo para você mesmo, e que, portanto deve respeitar a sua singularidade e seus desejos? Alguém se interessou em conhecer o seu mundo, como ocupava sua mente ou como dava forma a esse milagroso universo que é a sua vida?

Você deve recordar-se das vezes que teve vergonha de dizer aquilo que você sabia por ser considerado "feio falar de si" ou falta de modéstia... e de outras tantas que você disfarçou que não sabia com medo de não ser aceito. Alguém lhe incentivou a reconhecer os seus talentos e limites com a mesma sinceridade e modéstia? Foi isso que a sua criança interior aprendeu?

Você é o maior especialista em você mesmo, portanto, sua meta mais importante é “ser você mesmo”. Fácil, não? Mas nós nos esquecemos dessa verdade tão simples, ficamos inseguros, com medo de não sermos amados e procuramos máscaras para disfarçar nosso verdadeiro eu.

Ainda hoje, quando alguém tece um elogio à sua aparência, à sua luz interior, ou à elegante blusa que veste, você se sente confortável e agradece naturalmente? Ou fica meio sem jeito, como se estivesse à espera de um socorro para disfarçar o comentário e, muitas vezes, desvalorizar com um “imagine, é uma roupa tão velha, comprei numa liquidação”...

Nós sabemos quando somos bons, quando somos belos e quando construímos relacionamentos felizes. Por que, então, damos ouvidos àquela “voz interior” que esvazia, desmerece ou sente culpa por ser assim? Celebramos as vitórias daqueles que amamos e quase sempre esquecemos de celebrar nossas próprias vitórias...

Muitas vezes nos colocamos em segundo plano, imaginando que nossos projetos, afinal, podem esperar um pouco mais, sonegando os anseios mais profundos da alma e economizando a força de vida que brotaria dessa “insana” coragem para ser feliz...

Voltemos ao filme da nossa vida, agora numa cena rotineira, nas pequenas escolhas que fazemos. Sabe aquele dia difícil em que tudo parece estar contra você, e por dentro, há um triturador de certezas e esperanças?

Seu desejo é ir para um lugar em busca de paz, quem sabe um encontro amigo, a cumplicidade, o acolhimento, talvez um socorro... Mas você não consegue fazer isso, porque nunca é “a vez da sua vez”. Você nunca vem em primeiro lugar e precisa ir para casa cumprir tarefas, chegar sem atrasos para o jantar familiar, quem sabe até servi-lo.

E você pretere seus íntimos desejos em nome da harmonia familiar, da rotina, das obrigações, do que esperam que você faça (porque esperam que você faça como sempre fez) e vai, vai morrendo por dentro, vai, querendo não ir, e se entrega em sacrifício em nome do amor.

Que amor? Com que energia você participa desse encontro familiar? E se alguém tiver a coragem de faltar a esse compromisso? Qual será a sua reação? Você poderá compreender? E se alguém não apreciar o cardápio ou algo que você doou para esse encontro? Será compreendido? Aceitará as queixas com consideração e respeito?

Vamos imaginar a mesma experiência vivida de um jeito novo:

Você, seu furacão interior, sendo fiel aos próprios sentimentos, telefona dizendo que não irá para o jantar. E vai, sensível às próprias necessidades, em busca de ajuda, acolhendo as próprias queixas com respeito e consideração, com coragem de sentir compaixão por si mesmo.

Tudo certo até aí? Agora vamos imaginar você voltando para casa, o coração mais calmo, a esperança brilhando no olhar, e uma leveza envolvendo o corpo todo, brincando com os seus sentidos... A serenidade resgatada na luta de quem buscou a própria verdade.

Com que energia você chega em casa agora? Você, que sabe se amar, terá amor para oferecer? Terá compreensão, caso alguém não tenha podido comparecer ao compromisso familiar? E se alguém não apreciar o cardápio, será que você, feliz, não seria até capaz de oferecer ajuda na busca de uma outra opção?

Na verdade, quando somos generosos com as nossas necessidades, quando respeitamos nossos sentimentos e desejos, somos generosos com o mundo e com o tudo o que é vivo. Somos generosos, porque temos vida dentro de nós, vida para dar, vida para partilhar. Somos melhores, porque temos a coragem de nos socorrer diante do caos e nos amar... De sermos pai e mãe de nossa criança interior, porque, agora, essa criança tem a quem recorrer: você, a pessoa que mais entende de você! Você feliz! Você capaz de se fazer feliz.

O que uma pessoa feliz faz com quem está ao seu lado? O que ela provoca no ambiente e nas pessoas que estão ao seu redor? Como é a sua visão de mundo? E uma pessoa infeliz? De que energia é tecida a sua vida e as suas relações?

“O mundo não é do jeito que nós vemos, o mundo é do jeito que nós somos”. De que matéria-prima você está se construindo?

É muito importante que façamos um reconhecimento dos nossos valores individuais, livres das amarras que nos prendem ao passado ou nos mantêm no chão, quando nossa alma sonha com um vôo audacioso e livre pelo universo de todas as possibilidades.

Precisamos urgentemente resgatar o que nos faz sentir vivos e deixar morrer o que não nos serve mais, cargas inúteis que carregamos sem consciência, sentenças criadas ou ouvidas nos momentos em que nos tornamos vítimas de uma dor que não soubemos gerir. Precisamos urgentemente de nossa compaixão por nós mesmos, do olhar generoso sobre nossas vidas.

É fundamental que olhemos com sabedoria os padrões e conceitos que absorvemos ao longo do caminho, a fim de não carregar fardos inúteis e salvar os sonhos que não podemos permitir que morram. Eles são o nosso combustível... Ter sonhos e realizá-los nos torna pessoas melhores. Respeitar e exercitar verdadeiramente a beleza da alma, que não se lapida em academias, mas na relação saudável, honesta e amorosa com a vida.

Somente com essa lealdade poderemos ser nascedouros de uma alegria prazerosa e verdadeira. Alegria que cria um novo filme para nossa vida, um filme onde somos o autor e o protagonista da nossa própria história.

A alegria é o maior antídoto para o estresse, portanto, vamos cumprir a nossa missão: Ser feliz!

Marlene Damico Lamarco


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