Feche os olhos e reveja o filme da sua vida, a começar
pela infância, a criança que você foi
e que sonhava, imaginava, desejava...
Você consegue imaginar uma cena de sua mãe
dizendo que é importantíssimo que você
se conheça, que descubra quem realmente é
e do que precisa para se fazer feliz? Ou seu pai, bem
sério, quase que coloquial, dizendo que você
é a pessoa mais importante do mundo para você
mesmo, e que, portanto deve respeitar a sua singularidade
e seus desejos? Alguém se interessou em conhecer
o seu mundo, como ocupava sua mente ou como dava forma
a esse milagroso universo que é a sua vida?
Você deve recordar-se das vezes que teve vergonha
de dizer aquilo que você sabia por ser considerado
"feio falar de si" ou falta de modéstia...
e de outras tantas que você disfarçou que
não sabia com medo de não ser aceito. Alguém
lhe incentivou a reconhecer os seus talentos e limites
com a mesma sinceridade e modéstia? Foi isso que
a sua criança interior aprendeu?
Você é o maior especialista em você
mesmo, portanto, sua meta mais importante é “ser
você mesmo”. Fácil, não? Mas
nós nos esquecemos dessa verdade tão simples,
ficamos inseguros, com medo de não sermos amados
e procuramos máscaras para disfarçar nosso
verdadeiro eu.
Ainda hoje, quando alguém tece um elogio à
sua aparência, à sua luz interior, ou à
elegante blusa que veste, você se sente confortável
e agradece naturalmente? Ou fica meio sem jeito, como
se estivesse à espera de um socorro para disfarçar
o comentário e, muitas vezes, desvalorizar com
um “imagine, é uma roupa tão velha,
comprei numa liquidação”...
Nós sabemos quando somos bons, quando somos belos
e quando construímos relacionamentos felizes. Por
que, então, damos ouvidos àquela “voz
interior” que esvazia, desmerece ou sente culpa
por ser assim? Celebramos as vitórias daqueles
que amamos e quase sempre esquecemos de celebrar nossas
próprias vitórias...
Muitas vezes nos colocamos em segundo plano, imaginando
que nossos projetos, afinal, podem esperar um pouco mais,
sonegando os anseios mais profundos da alma e economizando
a força de vida que brotaria dessa “insana”
coragem para ser feliz...
Voltemos ao filme da nossa vida, agora numa cena rotineira,
nas pequenas escolhas que fazemos. Sabe aquele dia difícil
em que tudo parece estar contra você, e por dentro,
há um triturador de certezas e esperanças?
Seu desejo é ir para um lugar em busca de paz,
quem sabe um encontro amigo, a cumplicidade, o acolhimento,
talvez um socorro... Mas você não consegue
fazer isso, porque nunca é “a vez da sua
vez”. Você nunca vem em primeiro lugar e precisa
ir para casa cumprir tarefas, chegar sem atrasos para
o jantar familiar, quem sabe até servi-lo.
E você pretere seus íntimos desejos em nome
da harmonia familiar, da rotina, das obrigações,
do que esperam que você faça (porque esperam
que você faça como sempre fez) e vai, vai
morrendo por dentro, vai, querendo não ir, e se
entrega em sacrifício em nome do amor.
Que amor? Com que energia você participa desse encontro
familiar? E se alguém tiver a coragem de faltar
a esse compromisso? Qual será a sua reação?
Você poderá compreender? E se alguém
não apreciar o cardápio ou algo que você
doou para esse encontro? Será compreendido? Aceitará
as queixas com consideração e respeito?
Vamos imaginar a mesma experiência vivida de um
jeito novo:
Você, seu furacão interior, sendo fiel aos
próprios sentimentos, telefona dizendo que não
irá para o jantar. E vai, sensível às
próprias necessidades, em busca de ajuda, acolhendo
as próprias queixas com respeito e consideração,
com coragem de sentir compaixão por si mesmo.
Tudo certo até aí? Agora vamos imaginar
você voltando para casa, o coração
mais calmo, a esperança brilhando no olhar, e uma
leveza envolvendo o corpo todo, brincando com os seus
sentidos... A serenidade resgatada na luta de quem buscou
a própria verdade.
Com que energia você chega em casa agora? Você,
que sabe se amar, terá amor para oferecer? Terá
compreensão, caso alguém não tenha
podido comparecer ao compromisso familiar? E se alguém
não apreciar o cardápio, será que
você, feliz, não seria até capaz de
oferecer ajuda na busca de uma outra opção?
Na verdade, quando somos generosos com as nossas necessidades,
quando respeitamos nossos sentimentos e desejos, somos
generosos com o mundo e com o tudo o que é vivo.
Somos generosos, porque temos vida dentro de nós,
vida para dar, vida para partilhar. Somos melhores, porque
temos a coragem de nos socorrer diante do caos e nos amar...
De sermos pai e mãe de nossa criança interior,
porque, agora, essa criança tem a quem recorrer:
você, a pessoa que mais entende de você! Você
feliz! Você capaz de se fazer feliz.
O que uma pessoa feliz faz com quem está ao seu
lado? O que ela provoca no ambiente e nas pessoas que
estão ao seu redor? Como é a sua visão
de mundo? E uma pessoa infeliz? De que energia é
tecida a sua vida e as suas relações?
“O mundo não é do jeito que nós
vemos, o mundo é do jeito que nós somos”.
De que matéria-prima você está se
construindo?
É muito importante que façamos um reconhecimento
dos nossos valores individuais, livres das amarras que
nos prendem ao passado ou nos mantêm no chão,
quando nossa alma sonha com um vôo audacioso e livre
pelo universo de todas as possibilidades.
Precisamos urgentemente resgatar o que nos faz sentir
vivos e deixar morrer o que não nos serve mais,
cargas inúteis que carregamos sem consciência,
sentenças criadas ou ouvidas nos momentos em que
nos tornamos vítimas de uma dor que não
soubemos gerir. Precisamos urgentemente de nossa compaixão
por nós mesmos, do olhar generoso sobre nossas
vidas.
É fundamental que olhemos com sabedoria os padrões
e conceitos que absorvemos ao longo do caminho, a fim
de não carregar fardos inúteis e salvar
os sonhos que não podemos permitir que morram.
Eles são o nosso combustível... Ter sonhos
e realizá-los nos torna pessoas melhores. Respeitar
e exercitar verdadeiramente a beleza da alma, que não
se lapida em academias, mas na relação saudável,
honesta e amorosa com a vida.
Somente com essa lealdade poderemos ser nascedouros de
uma alegria prazerosa e verdadeira. Alegria que cria um
novo filme para nossa vida, um filme onde somos o autor
e o protagonista da nossa própria história.
A alegria é o maior antídoto para o estresse,
portanto, vamos cumprir a nossa missão: Ser feliz!
Marlene Damico Lamarco
Matérias Anteriores:
-Clique
aqui para ler as matérias já publicadas