Em
poucas ocasiões os líderes do mundo aceitam
se sentar em torno de uma mesa para tomar uma decisão
capaz de afetar, indistintamente, a vida de todos os habitantes
do planeta.
Foi assim com a Liga das Nações, o embrião
da ONU – Organização das Nações
Unidas, criado dois anos após a II Guerra Mundial
com o objetivo de banir para sempre as hostilidades entre
as potências europeias. E desta forma, em Bretton
Woods, em 1944, com a reunião intergovernamental,
alimentada pelas melhores cabeças econômicas,
que visava a dar fim aos cataclismos financeiros, depois
do trauma da crise das bolsas 1929.
Foi assim também recentemente na Cop15, em Copenhague,
onde 192 países se reuniram para, com a ajuda de
cientistas, tentar afastar o perigo de uma grande catástrofe
climática global provocada pelo acúmulo,
na atmosfera, de certos gases encapsuladores de calor,
o que levaria, num cenário extremo, ao derretimento
das calotas polares e à consequente inundação
de inúmeras áreas litorâneas do planeta.
O Brasil transformou em lei as propostas apresentadas
em Copenhague, um avanço que já repercute
no mundo e que deve influenciar outras nações.
O País se propôs a reduzir entre 36,1% e
38,9% as suas emissões de gases de efeito estufa
previstas para 2020. As metas preveem uma redução
nas emissões de dióxido de carbono combatendo
o desmatamento da Amazônia e do Cerrado:
- No setor de agropecuária, a proporção
de redução varia de 4,9% a 6,1%, números
que podem ser obtidos por meio de ações
de recuperação de pastos, integração
lavoura-pecuária, plantio direto, sem queimadas
e fixação biológica de nitrogênio.
- No setor de energia, a proporção de redução
varia de 6,1% a 7,7%, com incremento no uso de biocombustíveis,
expansão da oferta de energia por hidrelétricas
e fontes alternativas (eólica, solar e biomassa).
- Na siderurgia, a proporção de cortes varia
de 0,3% a 0,4%, sendo que o foco estará na substituição
de carvão de desmate por árvores plantadas.
Bem, já saímos na frente, pelo menos no
papel. Mas a grande verdade é que cada cidadão
pode e deve fazer a sua parte, pois esse esforço,
quando aplicado em conjunto, tem o grande potencial de
provocar mudanças significativas.
Por mais surpreendente que seja, a maioria dessas ações
começa dentro de casa, sem qualquer grande esforço
ou mudanças significativas no cotidiano da família.
Algumas atitudes sustentáveis podem fazer grande
diferença, não apenas na questão
climática, mas, principalmente, na qualidade de
vida de toda a sociedade, como por exemplo:
Selos de procedência – Exija
nos eletrodomésticos o selo Procel, que indica
os que são mais econômicos. A produção
de energia é uma das principais fontes de gases
de efeito estufa. Já no caso das madeiras, o selo
FSC atesta que elas não foram extraídas
de áreas de proteção.
Transportes coletivos – O transporte,
em geral movido a óleo diesel mineral, é
um dos maiores emissores de poluentes. Portanto, sempre
que possível, opte por transporte coletivo, ou
reveze com amigos.
Reduza o consumo – Para produzir
um computador, gastam-se dois mil litros de água.
Que tal apenas renovar a sua máquina com algumas
peças atuais, em vez de trocá-la por outra?
Recicle o lixo – Uma lata de alumínio
reciclada economiza o equivalente a três horas de
tevê ligada. Além disso, reciclar significa
diminuir o consumo de matérias-primas, cuja extração,
como no caso do alumínio, provoca desmatamentos
e gera gases de efeito estufa.
Opte por refil – Assim, você
reduzirá o consumo de matérias-primas e
da energia necessária para produzir uma nova embalagem.
Evite descartáveis – Na
maioria das cidades, a coleta de lixo limpo é uma
grande ilusão. No final, boa parte dos descartáveis
acaba nos aterros ou lixões. Sempre que possível,
opte por uma caneca de vidro.
Alimentos orgânicos – Agrotóxicos
e pesticidas químicos são altamente poluentes.
Quanto mais pessoas consumirem produtos orgânicos,
maior será a produção e o preço
deles tende a abaixar.
Consumo de carne e peixes – A
pecuária é uma das principais causas de
desmatamento. Busque produtos com indicação
de origem, ou seja, cuja floresta não deu lugar
à pastagem. Evite o consumo de peixe em vias de
extinção. Na dúvida, consulte o guia
do pescado sustentável (
www.unimonte.br/sustentabilidade/guia-de-consumo-responsavel-de-pescado-16).
Produtos locais – De nada adianta,
por exemplo, adquirir uma sacola retornável, se
esse produto for fabricado na China. Todo benefício
ambiental se perde na poluição gerada no
transporte.
Informe-se – Hoje, há uma
grande quantidade de ofertas ecológicas ou verdes.
Exerça seu poder – O consumidor
pode provocar mudanças nas empresas quando recusa
ou reduz a compra de produtos tóxicos ou que provocam
danos ao meio ambiente. O mesmo vale para os governos,
na medida em que a população exige a adoção
de programas sérios de coleta seletiva, compra
de madeira certificada, reciclagem nas repartições,
economia de água.
São iniciativas que podem ser colocadas em prática
no lar, no comércio, em escritórios e até
mesmo nas indústrias. Mude seus hábitos,
dê o exemplo, afinal, a sociedade é a mola
mestra por detrás de toda mudança.