O Senado
Brasileiro, inspirado na Câmara dos Lordes da Grã-Bretanha,
vem passando por uma crise que começou em fevereiro
como uma marolinha. Mas, nossos senadores, envolvidos
em acusações graves (farra de passagens
aéreas, nepotismo, empreguismo de parentes, pagamentos
de horas extras em mês de recesso parlamentar, fartura
de cargos de direção, uso indevido de imóveis
funcionais por diretores), entre outros problemas, foram
mergulhando a cada dia em marolas crescentes que logo
se tornaram ondas gigantes e assustadoras.
Após 183 anos de existência, as mazelas do
supremo Senado finalmente são conhecidas e se tornam
o centro das conversas de botequim, de esquina, de festa,
de qualquer reunião. As raízes da crise
são muito mais profundas. A cada dia, novos atos
secretos aparecem e são revelados. Alguns já
viraram oficializados, compulsivos, viciados. E nada,
até agora, foi discutido ou votado na casa de “voto
aberto”.
A única decisão tomada até o momento
foi a de não decidir nada. Esta é a agenda
deste ano no Senado brasileiro. Senadores da República,
eleitos para legislar e ponderar sobre os rumos do País,
concordam que a crise ética que explodiu em 2009
é fruto de um longo período de hábitos
inadequados na Casa.
Alguém disse, alguém falou, alguém
do Conselho de Ética do Senado... arquivou... .
Está mais do que claro que nossos senadores abusam
do poder. A crise ética, moral e institucional
trouxe uma instabilidade enorme à democracia e
colocou o Senado na berlinda. A pressão do noticiário
de escândalos fez o povo se perguntar: sabia? Não
sabia? Cadê a credibilidade?
Mas, o relatório final da comissão instalada
pela Primeira Secretaria do Senado aponta para o fato
de que, desde 1995, o Senado escondeu a publicação
de 663 atos que foram utilizados, para tomar medidas administrativas
de forma sigilosa como nomear, exonerar, aumentar salários
e ampliar verbas.
O atual presidente da Casa é acusado de cometer
irregularidades na administração do Senado,
empregar pessoas ligadas à sua família e
desviar dinheiro público por meio de uma fundação
que leva seu nome e, atropelado por essa enorme crise,
o Senado paralisou, restando como saldo a pior imagem
para uma instituição pública: a de
que virou um espaço para servir a interesses meramente
privados.
Tudo isso nos leva a pensar na urgência de que novos
agentes políticos apareçam e na importância
de se mobilizar em prol dos interesses nacionais. Daqui
para frente, a sociedade estará mais vigilante.
O Brasil precisa mudar, mas antes devemos punir os culpados. |