Apesar
de as mulheres atualmente representarem a maioria do eleitorado
brasileiro - segundo balanço do TSE - Tribunal
Superior Eleitoral, do total de 127,4 milhões de
eleitores brasileiros, 65,9 milhões (51,7%) são
mulheres, - infelizmente a presença feminina no
poder político está congelada.
A posição do Brasil no ranking
de participação de mulheres em cargos públicos
é constrangedora. Das 513 vagas para deputados,
só 46 são ocupadas por mulheres (9%). No
Senado são 10 mulheres para 81 vagas (12,3%).
Quanto mais poder, menos mulheres. A presença de
mulheres como governadoras (3 em 27) e prefeitas não
passa de 7,7%.
Democracia requer ruptura com privilégios e efetiva
igualdade para o exercício da cidadania e acesso
aos espaços de decisão no Legislativo, no
Executivo e no Judiciário.
Hoje, em nosso País, contamos com a Secretaria
Especial de Políticas para as Mulheres e com a
Bancada Feminina no Congresso, compostas por parlamentares
com o objetivo de garantir não somente a elaboração
de políticas públicas, mas também
a representação dos direitos e interesses
das mulheres no Poder Legislativo.
Quatro décadas após a revolução
sexual, não há dúvida de que as mulheres
conquistaram vários espaços antes de exclusividade
dos homens, mas a arena política brasileira continua
sendo um território essencialmente masculino.
Impulsionar os direitos das mulheres tem um efeito transversal
positivo sobre todos os demais direitos. Não é
possível defender os direitos da infância
sem defender os da mulher, porque uma mulher sem consciência
clara de seus direitos não irá defender
bem os de seus filhos.
Nós, mulheres, temos de ter claro que a participação
política é uma chave; a chave da voz, é
uma chave da cidadania.
No Brasil, a Lei 9504/97, "Lei de Cotas", foi
aprovada em 1995 e aplicada pela primeira vez nas eleições
municipais de 1996. Foi a primeira consequência
prática da participação do nosso
País na Conferência Mundial da Mulher, realizada
em Beijing, China, em 1995, que recomendou aos países
a adoção de "ações afirmativas"
para apressar a diminuição da exclusão
das mulheres e se chegar à igualdade entre os sexos
nos centros de poder político.
Segundo o Ibope - Instituto Brasileiro de Opinião
Pública e Estatística, com apoio da Secretaria
Especial de Políticas para as Mulheres, uma pesquisa
realizada entre os dias 13 a 17 de fevereiro, com 2002
entrevistas em 142 municípios de todas as regiões
do País, a maioria da população brasileira
(75%) é favorável à política
de cotas para mulheres na política e apoia a punição
dos partidos políticos (86%) não-cumpridores
da atual legislação, que prevê 30%
de candidaturas femininas.
É necessária campanha de encorajamento das
mulheres, fomentando suas candidaturas e conscientizando
a comunidade sobre a importância do acesso dos grupos
historicamente subrepresentados à estrutura governamental.
Ao ler esta matéria, minha querida, veja se você
se anima. Não deseje fazer política à
moda masculina. Se pensar assim, não teremos mulheres
na política. Se imaginarmos que temos que pensar
e agir como os homens, só para sermos aceitas,
estaremos cometendo um grande equívoco.
Tanta luta, não foi para isso!
Há lugar para nós, do jeito que somos: femininas,
mulheres. Cada qual dentro do seu estilo pessoal, mas
sem abrir mão do batom...
A afirmativa de que tudo na política cheira mal,
corrompe, é tola demais para ser usada por nós.
Está aqui uma boa hora de repensar. Ou vamos deixar
tudo assim? E a geração dos nossos filhos
e netos? Como será?
O Brasil ainda não teve nenhuma mulher eleita presidente.
Coragem, mulher! |