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Por que o medo de querer ser política?

Faz só 77 anos que a mulher brasileira ganhou o direito de votar nas eleições nacionais. Esse direito foi obtido por meio do Código Eleitoral Provisório, de 24 de fevereiro de 1932. Mesmo assim, a conquista não foi completa. O código permitia apenas que mulheres casadas (com autorização do marido), viúvas e solteiras com renda própria pudessem votar.

As restrições ao pleno exercício do voto feminino só foram eliminadas no Código Eleitoral de 1934. No entanto, o código não tornava obrigatório o voto feminino. Apenas o masculino. O voto feminino, sem restrições, só passou a ser obrigatório em 1946.

Em 3 de maio de 1933, a médica paulista Carlota Pereira de Queiroz foi a primeira mulher a votar e ser eleita Deputada Federal. Ela participou dos trabalhos na Assembléia Nacional Constituinte, entre 1934 e 1935.
Carlota Pereira de Queiroz
   
 
Apesar de as mulheres atualmente representarem a maioria do eleitorado brasileiro - segundo balanço do TSE - Tribunal Superior Eleitoral, do total de 127,4 milhões de eleitores brasileiros, 65,9 milhões (51,7%) são mulheres, - infelizmente a presença feminina no poder político está congelada.

A posição do Brasil no ranking de participação de mulheres em cargos públicos é constrangedora. Das 513 vagas para deputados, só 46 são ocupadas por mulheres (9%). No Senado são 10 mulheres para 81 vagas (12,3%).

Quanto mais poder, menos mulheres. A presença de mulheres como governadoras (3 em 27) e prefeitas não passa de 7,7%.

Democracia requer ruptura com privilégios e efetiva igualdade para o exercício da cidadania e acesso aos espaços de decisão no Legislativo, no Executivo e no Judiciário.

Hoje, em nosso País, contamos com a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres e com a Bancada Feminina no Congresso, compostas por parlamentares com o objetivo de garantir não somente a elaboração de políticas públicas, mas também a representação dos direitos e interesses das mulheres no Poder Legislativo.

Quatro décadas após a revolução sexual, não há dúvida de que as mulheres conquistaram vários espaços antes de exclusividade dos homens, mas a arena política brasileira continua sendo um território essencialmente masculino.

Impulsionar os direitos das mulheres tem um efeito transversal positivo sobre todos os demais direitos. Não é possível defender os direitos da infância sem defender os da mulher, porque uma mulher sem consciência clara de seus direitos não irá defender bem os de seus filhos.

Nós, mulheres, temos de ter claro que a participação política é uma chave; a chave da voz, é uma chave da cidadania.

No Brasil, a Lei 9504/97, "Lei de Cotas", foi aprovada em 1995 e aplicada pela primeira vez nas eleições municipais de 1996. Foi a primeira consequência prática da participação do nosso País na Conferência Mundial da Mulher, realizada em Beijing, China, em 1995, que recomendou aos países a adoção de "ações afirmativas" para apressar a diminuição da exclusão das mulheres e se chegar à igualdade entre os sexos nos centros de poder político.

Segundo o Ibope - Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, com apoio da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, uma pesquisa realizada entre os dias 13 a 17 de fevereiro, com 2002 entrevistas em 142 municípios de todas as regiões do País, a maioria da população brasileira (75%) é favorável à política de cotas para mulheres na política e apoia a punição dos partidos políticos (86%) não-cumpridores da atual legislação, que prevê 30% de candidaturas femininas.

É necessária campanha de encorajamento das mulheres, fomentando suas candidaturas e conscientizando a comunidade sobre a importância do acesso dos grupos historicamente subrepresentados à estrutura governamental.

Ao ler esta matéria, minha querida, veja se você se anima. Não deseje fazer política à moda masculina. Se pensar assim, não teremos mulheres na política. Se imaginarmos que temos que pensar e agir como os homens, só para sermos aceitas, estaremos cometendo um grande equívoco.

Tanta luta, não foi para isso!

Há lugar para nós, do jeito que somos: femininas, mulheres. Cada qual dentro do seu estilo pessoal, mas sem abrir mão do batom...

A afirmativa de que tudo na política cheira mal, corrompe, é tola demais para ser usada por nós.

Está aqui uma boa hora de repensar. Ou vamos deixar tudo assim? E a geração dos nossos filhos e netos? Como será?

O Brasil ainda não teve nenhuma mulher eleita presidente.

Coragem, mulher!