| Não
é raro depararmos com políticos exaltando
a democracia utilizando-se dela como justificativa do
próprio governo ou de feitos alcançados.
Mas, aqui fica a seguinte indagação: será
que realmente vivemos em uma verdadeira democracia, mesmo
sendo este um país subdesenvolvido e de gritante
desigualdade social? Acredito que não.
Assim, não resta a menor sombra de dúvida
de tratar-se de uma questão delicada que merece,
portanto, ser colocada em pauta com rapidez e responsabilidade,
visando a colocar em prática seus conceitos, para
que não se torne uma questão demagoga. Não
se trata de condená-la, mas de examiná-la,
tendo em vista o seu aperfeiçoamento e, principalmente,
o apreço da sociedade.
A democracia brasileira, expressamente reconhecida na
Constituição Federal de 1988, embora já
transcorridos mais de vinte anos, na prática ainda
trata de conceitos demagogos e até hoje não
colocados integralmente em prática, fato que vem
causando sérios prejuízos para todo cidadão.
Salta aos olhos o fato de que, nestes vinte anos de liberdade
democrática, tem-se confundido democracia com liberdade
de corrupção, bagunça, bem como tantos
outros desmandos praticados, especialmente por nossos
políticos, que muitas vezes não honram e/ou
respeitam o cargo que ocupam única e exclusivamente
por permissão do povo.
Não podemos esquecer que a democracia do Brasil
é uma das mais caras do mundo. Não se admite
que, em um país onde existem pessoas que sobrevivem
em situação de extrema miserabilidade, possa
haver um Congresso Nacional, com mais de quinhentos Deputados
Federais, os quais são remunerados a peso de ouro
e ainda têm direito à verba de gabinete,
verba para enxoval, apartamentos funcionais, carros, assessores
nomeados ao seu bel-prazer, energia elétrica,
água, luz e telefone, às expensas da nação
brasileira. Além de toda essa estrutura, ainda
se tem um Senado Federal mantido, igualmente a peso de
ouro, servindo apenas como órgão revisor
da Câmara dos Deputados.
É bem verdade que os representantes do povo devem
ser remunerados com valor que lhes permita dedicar-se
integralmente aos anseios do povo, mas de forma alguma
com as volumosas quantias percebidas, que servem para
várias famílias viverem, sim, e viverem,
com farto conforto.
O Poder Judiciário aparelhou-se melhor, mas não
reformou seus códigos a ponto de atender com mais
agilidade e razoabilidade aos reclamos por uma Justiça
que puna efetivamente quem prevarica. Os processos se
arrastam, numa estranha cumplicidade com os mecanismos
que tornam as causas mais importantes intermináveis,
além da preocupante tendência liberal em
relação aos infratores.
No Executivo, a gastança com Ong’s, muitas
sob suspeição, e contratações
aos milhares, ampliou demais as folhas de pagamento, abriu
torneiras para verdadeiras doações de caráter
político-ideológico.
Gastam-se milhões de reais com o Poder Legislativo
e com o Tribunal de Contas, enquanto faltam remédios,
hospitais, escolas e dinheiro para a segurança
pública, que carece da contratação
de mais policiais e da abertura de novos concursos, bem
como de mais profissionais para a área de saúde.
Vamos ser mais democratas, cultivando a ordem, apressando
a Justiça, gastando com austeridade, contendo abusos
que fazem, dos que estão sob a cobertura do erário,
privilegiados acima das crises e dos desconfortos causados
pela má gestão pública.
Outro ponto fundamental é o de que a informação,
a cultura e a educação não devem
ser privilégio de poucos e sim abertas à
toda a população de forma correta e sem
censuras. A informação não pode ser
manipulada de acordo com interesses particulares, daí
a grande responsabilidade de uma imprensa independente
num estado democrático.
Por fim, como consequência dos pontos citados anteriormente,
o poder deve ser rotativo e não apenas privilégio
de algumas classes sociais, mas sim que todos os setores
da sociedade possam ter acesso à representatividade
fazendo com que ocorra uma rotatividade no poder; só
dessa maneira, atendendo a esses quesitos, podemos dizer
que um Estado é realmente democrático.
Analisando todos estes pontos, fica difícil imaginar
que no Brasil há uma verdadeira democracia. Temos
as grandes corporações de imprensa do País
monopolizadas por apenas alguns grupos empresariais tornando
a informação manipulada de acordo com interesses
elitistas e políticos.
O acesso à cultura é praticamente restrito
ao poderio econômico, e o número de analfabetos
é quatro vezes maior que o de brasileiros que possuem
curso superior completo.
Vamos deixar a passividade e os hábitos individualistas
para nos tornarmos cidadãos atuantes na sociedade,
vamos efetivamente nos fazer presentes na vida pública.
Acabamos de eleger os nossos Prefeitos e Vereadores...
Faço um convite: acompanhe a gestão de seu
candidato de perto, cobre as promessas de campanha; estamos
num momento de consolidação da idéia
de democracia, mas também é o momento de
uma "faxina" no entulho que compõe boa
parte da política brasileira, "faxina"
essa que fica a encargo do povo realizar por meio do voto.
Cabe ao cidadão consciente reavaliar os ideais
democráticos deste País e pensar em democracia
não como algo já dado, mas sim como algo
a ser construído. A responsabilidade por essa construção
é de todos nós.
O povo norte-americano deu ao mundo uma lição
de democracia ao eleger Barack Obama, de origem negra,
Presidente dos Estados Unidos da América.
Cidadãos, numa democracia, não têm
apenas direitos, têm o dever de participar do sistema
político que, por seu lado, protege os seus direitos
e as suas liberdades.
Não adianta a gente ficar só reclamando.
Quando podemos, devemos tomar alguma atitude...
O BRASIL AGRADECE!
|