Dando seguimento aos objetivos da Libra, informar e educar, tenho o prazer de apresentar um artigo de autoria da Sra. Márcia Douteiro Alves, pedagoga e presidente da Ong – Organização Não-Governamental Lost Abrigo para Cães e Gatos Abandonados, que dispõe de um assunto de extrema relevância: abandono e maus tratos de animais.

Esperamos que quem ainda não se interessou pela questão do abandono de animais perceba que se trata de um problema complexo, relacionado com a vida de cada um de nós. Embora seja testemunhado no cotidiano de qualquer pessoa, a sociedade o tem negligenciado, julgando ser matéria sem interesse ou valor. É de grande importância, quando a mídia, entre outros formadores de opinião, atentam para este assunto, que oculta problemas bem mais complexos do que usualmente se considera.

Na verdade, é uma questão que se relaciona com a vida de cada cidadão, seja em suas causas, seja em suas conseqüências. Partimos da idéia de que toda vida senciente, isto é, capaz de sentir, jamais deve ser submetida por nós ao sofrimento. Para os animais, o abandono é exatamente isto: uma experiência sofrida, dolorosa e triste.

Neusa Antunes
 
 
Ética animal

Libra apóia campanha pelo fim da escravidão animal. Atenda a este chamado! Liberte-os da tortura, o destino deles está em suas mãos!

Por Márcia Douteiro Alves

Quem nunca deparou com um animalzinho abandonado, dormindo ao relento, revirando lixo em busca de alimento? Pior ainda, esse cão seguindo alguém com esperança de ser notado, e o que recebe é um –“passa pra lá, cachorro!” Isto quando não é agredido...

Triste realidade, chegando a ser cruel. Existe outro tipo de abandono, aquele em que a pessoa adquire um cachorro ou um gatinho (seja ele de
ss
qualquer raça) e simplesmente o deixa num canto qualquer... Sem o mínimo cuidado e respeito, é totalmente ignorado. Felizmente essa realidade está sendo mudada; as pessoas estão se conscientizando, vendo a causa animal com outros olhos. Existem no mundo muitas pessoas generosas, inteligentes, mobilizando-se em defesa dos animais vítimas dos maus tratos e descaso.

É, portanto, essa a nossa bandeira. A Lost foi criada com esse objetivo, o de acabar com o silêncio dos inocentes procurando oferecer-lhes uma vida digna, colocá-los na sociedade encontrando um lar que o respeite, visando com isso à posse responsável, que consiste em adquirir, (adotar) um animal sabendo as necessidades deste. É um ato de amor, responsabilidade e consciência de que esse bichinho terá uma vida útil de pelo menos quinze anos.

Cada pessoa pode, no universo em que habita, contribuir para tornar um mundo melhor. Basta acreditar na causa.

A luta pela preservação do ambiente pode ser um compromisso de vida. Justificar uma existência. Dar-lhe qualidade e intensidade. É um projeto permanente, que transcende os interesses imediatistas, para alcançar até as mais longínquas gerações.

Muitos ainda desconhecem que a prática de maus-tratos, abuso, mutilação ou ferimentos em animais domésticos ou domesticados, brasileiros ou estrangeiros, é considerada crime pela legislação brasileira, especificamente pelo Artigo 32 da Lei Federal nº 9.605/98.

Cabe ressaltar que a pena imposta para o crime ambiental mencionado é a de detenção de três meses a um ano e multa, podendo esta pena ser aumentada de um sexto a um terço se o animal vier a óbito. E, quanto à multa administrativa, esta pode variar de R$ 500,00 (quinhentos reais) até R$ 2.000,00 (dois mil reais).

Conforme delimitação de competência pela Constituição Federal, é de atribuição comum dos entes e órgãos municipais estaduais e federais a proteção do meio ambiente. Logo, todos poderão receber denúncias das práticas que violam as previsões legais.

Administrativamente as denúncias podem ser feitas ao Ibama - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, autarquia federal, por meio da "Linha Verde" - serviço de denúncias por telefone (tel. 0800-618-080) ou ainda por requerimento nos escritórios e gerências Executivas (www.ibama.gov.br).

Na seara estadual, a informação do delito pode ser feita à Polícia Militar Ambiental (tel. 0800-132-060) e à Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo - SMA (tel. 11 3030-6638 ou www.ambiente.sp.gov.br).

No que tange à seara municipal, as denúncias também podem ser feitas ao Centro de Controle de Zoonoses – CCZ (tel. 11 6224-5500).

Com relação à apuração criminal da questão, a informação pode ser encaminhada à Delegacia de Polícia do local dos fatos ou ao Grupo Especial de Meio Ambiente (tel. 11 3214-6553 e/ou 3259-2801).

Outro meio de comunicação do crime ambiental se dá mediante boletim de ocorrência eletrônico, que pode ser feito acessando o site www.seguranca.sp.gov.br.

Você quer ser um agente modificador? Assine seu nome nesta causa! Não se cale!!!!! Denuncie!!!!!

Existem apenas três maneiras de mudar esta realidade de sofrimento: denunciando maus tratos e abandono, esterilizando os animais e adotando-os.

A responsabilidade dos cidadãos

Não compre!

Não é difícil perceber, nos meios de comunicação, a incessante propaganda voltada para a venda de animais. Nossa cultura transformou em hábito comprá-los em lojas, feiras ou diretamente dos criadores. Assim, inúmeros canis e gatis mantêm-se em constante atividade, produzindo ninhadas e vendendo filhotes por preços altos.

O primeiro problema que este enaltecimento da compra acarreta, inevitavelmente, é o esquecimento daqueles que mais precisam de atenção. Um animal que sobrevive nas ruas, ou encontra-se num abrigo, ou espera a morte num CCZ, poderia ser um ótimo companheiro para qualquer pessoa, mas continua relegado a segundo plano, enquanto os criadores o vendem.

No fundo, o que a propaganda perpetua é a crença de que qualquer animal, no cercado de um pet shop, está pronto para ser levado para casa, enquanto outros animais, que vivem nas ruas e nos abrigos, já perderam essa condição. Isto atinge até mesmo animais de raça que se encontram perdidos, pois a primeira opção da maioria das pessoas continua sendo visitar uma loja. E, a partir do momento em que se estabelece um tratamento tão díspar, cria-se o terreno onde o abandono prolifera.

Quem vai a uma loja para comprar um animal, geralmente, é movido pela intenção positiva de cuidar dele. Entretanto, é urgente que se compreenda que a primeira forma de cuidar de um cão ou de um gato é jamais comprá-lo. Mesmo que alguém veja um animal num cercado de uma loja e se sinta tomado por afeto, isto não muda a realidade de que aquele animal está sendo explorado, por um tipo de comércio que não devia existir.

Quanto aos criadores, é comum afirmarem que têm afeto pelos animais que vendem. O fato é que a maioria dos criadores não gosta dos animais.

Criadores que já adquiriram certo renome tratam seus animais com algum cuidado, não deixando que procriem além de poucas vezes ao ano, etc. Todavia, há milhares de canis e gatis "de fundo de quintal" que utilizam várias cadelas ao mesmo tempo, cada uma parindo de forma ininterrupta.

E como agem tais criadores, quando suas "matrizes" - as fêmeas usadas para reprodução - ficam doentes ou envelhecem? Jogam-nas na rua, ou deixam-nas num abrigo, ou matam-nas também. Afinal, segundo as regras do comércio, estes animais perderam a serventia, deixaram de oferecer lucro.

Diante desses fatos, a compra de animais perde muito de seu encanto. Afinal, seja praticado por criadores de renome ou pet shops bem conceituados, seja praticado por vendedores de última categoria, o comércio de animais é sempre nocivo. Por outro lado, existe uma maneira de trazer um animal para nosso convívio, sem resvalar nesses problemas: a adoção.

Como ato de amor e responsabilidade vamos começar a esterilizar os animais da nossa região, dando assim o exemplo e ajudando a educar a população sobre essa necessidade. Só assim poderá diminuir o número de animais abandonados e sacrificados, evitando-se crias indesejadas - pois a principal causa do abandono é o descontrole populacional.

Uma cadela e seus descendentes podem gerar em 6 anos, 73 mil animais e certamente não existem lares responsáveis para todos. Uma gatinha com vida reprodutiva pode deixar até 2 mil descendentes.

O nosso desejo é modificar o comportamento da sociedade, ajudando assim na construção de um mudo melhor, e mais justo para todos.

Entendemos que, quando se é capaz de lutar por animais, também se é capaz de lutar por crianças e idosos. Não há bons ou maus combates, existe somente o horror ao sofrimento aplicado aos mais fracos.
 
 












Márcia Douteiro Alves
Presidente da Ong Lost
Pedagoga
Para ajudar: 11 9970-4243