“Em cumprimento ao acordo assinado entre a Libra Brasil e a Sociedade Brasileira de Cancerologia, neste mês convidamos a Dra. Ana Paula Venturini Ribeiro e o Dr. Romano Mancusi Sobrinho, que nos alertam sobre a importância do acompanhamento de um profissional da área odontológica em pacientes portadores de câncer.

Neste aspecto, o câncer tem se destacado pela alta taxa de incidência em nossa sociedade. Sabemos que as descobertas de tratamento não acompanham o aumento de incidência de casos. Segundo estimativas, 400 mil novos casos surgirão a cada ano, levando a óbito 80 mil pessoas” .

Cremos que, ao se dar preferência a situações e informações que valorizam a preservação da vida, favorecendo também a autoestima, estamos desempenhando um papel fundamental, promovendo a saúde e melhorando a qualidade de vida da própria sociedade.

Neusa Antunes
 
 
 
A Odontologia e o tratamento contra o câncer

Há bem pouco tempo, receber a notícia de um diagnóstico de câncer era encarado de uma maneira sombria, porém, hoje, com o avanço da tecnologia, esse prognóstico melhorou consideravelmente e o que vemos é que muitos pacientes conseguem alcançar a cura ou convivem com a doença de forma crônica, com um tratamento contínuo.

Muito do que se conseguiu até hoje se deve ao avanço dos quimioterápicos. Infelizmente, apesar de esses avanços terem minimizado os efeitos colaterais, alguns ainda persistem e, para que o paciente possa manter sua qualidade de vida e seguir confiante no seu tratamento, uma equipe multidisciplinar deve estar presente em seu dia-a-dia, e um dos membros dessa equipe é o cirurgião dentista.
 
 
A estomatologia é a especialidade da Odontologia que faz a prevenção, o diagnóstico e o tratamento (ou encaminhamento, nos casos oncológicos) das alterações dos tecidos da cavidade oral.

O cirurgião-dentista, ou mais propriamente o estomatologista pode contribuir com a equipe médica oncológica de forma significativa, por meio da prevenção do câncer de boca, do diagnóstico precoce da doença, atenuando os efeitos colaterais da quimioterapia e da radioterapia de cabeça e pescoço e efetuando procedimentos odontológicos com segurança.

Você sabia que a grande maioria dos pacientes precisa de uma avaliação odontológica antes de iniciar o tratamento oncológico?

Os quimioterápicos podem trazer efeitos colaterais que vão desde a perda de paladar, boca ressecada, infecções por diminuição da imunidade, até ulcerações (feridas) severas na boca chamadas de mucosite; e o acompanhamento do dentista é fundamental para que o tratamento não seja interrompido por impossibilidade de alimentação ou infecções oportunistas na boca.

Vale ressaltar que, em casos de radioterapia na região de cabeça e pescoço, esses efeitos colaterais são observados com mais frequência e severidade.

Então, o que o dentista pode fazer?

Dentro da estomatologia existe uma área responsável pelo suporte a pacientes com câncer.

Perda de paladar: muitas vezes a perda do gosto dos alimentos está associado a monilíase, que é um processo infeccioso fúngico que, instalado na língua, impede a ação das papilas gustativas, esse processo é facilmente revertido se diagnosticado precocemente. Além disto, os quimioterápicos em geral causam essa perda de paladar; o paciente, neste caso, deve estar ciente de que isso pode ocorrer, mas que, mesmo assim, deverá continuar se alimentando adequadamente.

Xerostomia (boca seca): sintoma que, além de ser desagradável, aumenta o atrito dos tecidos da boca com os dentes e próteses podendo causas ferimento da mucosa. Existem protocolos de lubrificantes orais que podem ajudar.

Plaquetopenia e neutropenia: muitos dos quimioterápicos diminuem a produção das células do sangue, algumas destas células são responsáveis pela coagulação do sangue e também de nossa defesa contra processos infecciosos. É importante o dentista conhecer esse processo para remover focos infecciosos e executar tratamentos no momento adequado.

A mucosite é uma reação tóxica inflamatória derivada dos efeitos da radioterapia (região cabeça e pescoço) e da quimioterapia. Caracteriza-se por lesões que podem ir desde um eritema (vermelhão) até feridas bastante dolorosas, dificultando alimentação e fala. Importa saber que a maioria dos pacientes não fará mucosite, entretanto uma consulta odontológica prévia é indispensável para que o paciente reconheça o sintoma precocemente e execute o tratamento o mais rápido possível.

A laserterapia e os bochechos programados podem prevenir e tratar a mucosite com bastante sucesso.

Finalizando, o tratamento contra o câncer tem sido cada vez mais executado com sucesso, e seus efeitos colaterais podem ser atenuados por profissionais qualificados, como o cirurgião dentista, mantendo a qualidade de vida do pacienete durante e após o tratamento.
 

 
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Contato:
Dra. Ana Paula Venturini Ribeiro

Dentista especialista em Clínica e Estomatologista

Dr. Romano Mancusi Sobrinho

Dentista especialista em Radiologia Odontológia e Estomatologista

IPC – Instituto Paulista de Cancerologia – Unidade São Paulo

Endereço: Av. Angélica, 2.503- 1º andar
Fone: 11 3797-3011

IPC – Instituto Paulista de Cancerologia – Unidade Alphaville
Endereço: Al. Rio Negro, 1.030
Fone: 11 4195-8602