Adotar uma criança é aceitá-la
como filho, de forma voluntária e legal, depois
de um preparo emocional e jurídico. Para que
esse processo seja bem-sucedido, é preciso incluir
lentamente a criança na família, trabalhando,
o tempo necessário, o estágio de convivência
entre as partes e a consciência do ato que está
sendo praticado.
A adoção começa quando dois adultos
se “candidatam” a pais adotivos, passando
por entrevistas e avaliações. Devido às
inúmeras exigências deles (como idade determinada
e cor específica de pele, olhos e cabelo), essa
fase inicial pode durar anos. No momento seguinte, os
candidatos vivem experiências, emoções
e sensações, o que é essencial
para o relacionamento com o futuro “filho do coração”.
Mas, se para os pais a adoção é
praticamente uma gestação que ocorre passo
a passo, de forma gradual, o mesmo não acontece
com as crianças que vivem nos abrigos. Em vez
disso, elas muitas vezes são retiradas bruscamente
do ambiente onde estão há meses ou anos,
sem nenhum preparo psicológico e emocional, como
num aborto. Daí se submetem a uma nova situação,
a “Guarda Provisória”, que talvez
termine em adoção. Caso não dê
certo, a criança ou voltará a seu abrigo
de origem ou será encaminhada para outro abrigo,
enfrentando ainda mais ansiedade, medo e sensações
desagradáveis. Seu desenvolvimento será
comprometido, já que, nesse vaivém, ocorrem
danos irreparáveis e desequilíbrio emocional.
Devemos fazer valer o Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA), que determina o estágio de
convivência. De qualquer forma, desde o Poder
Judiciário, passando pelo abrigo e continuando
na “Guarda Provisória”, esse período
de aproximação é fundamental, para
que a criança chegue sem traumas e receios ao
lar definitivo. Só assim “pais e filhos
de coração” podem compartilhar amor
e segurança.
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