Limites na adolescência: uma missão para pais e escolas

Temos alunos mais exigentes nas salas de aula clamando por orientação

Por Silvana Martani *
 
 

Os pais sempre esperaram da escola muito mais do que ela poderia dar aos seus alunos e a escola sempre duvidou da educação e formação que os pais dão aos seus filhos. Este tem sido um dos problemas que atrapalha muito quem fica no meio disso tudo: o aluno.

De um lado, os professores condenam a falta de limites e o pouco tempo que os pais dedicam aos filhos por conta de seus afazeres e profissão; de outro, os pais, por mais cara que seja a escola, bem equipada e com um corpo docente qualificado, não têm suas expectativas atendidas, pois esperam mais dos orientadores, professores e diretores nos quesitos disciplina, coerência, orientação e liderança.

Hoje temos um público mais exigente nas salas de aula, mais sensível, “antenado” com suas necessidades, clamando por orientação e limites. A rápida evolução dos últimos anos colaborou para que nossas crianças e adolescentes fossem estimulados a perceber e se posicionar frente a tudo e a todos; mas tanta exposição a vários tipos de estímulos os tornou mais imediatistas, irritados, ansiosos, insatisfeitos e profundamente angustiados.

 

Estas são características dos jovens e crianças em alguns momentos de seu desenvolvimento, mas a hiper exposição a que estamos sujeitos, com os meios de comunicação mais rápidos, as tecnologias e a velocidade com que as coisas se tornam obsoletas, contribuíram para que estes sentimentos se potencializassem dificultando a vida de quem precisa aprender e de quem quer ensinar.

Somados a isso tudo, as exigências de sucesso, desempenho e aumento do volume e carga horária de trabalho impõem aos pais um desgaste, tanto emocional, quanto físico que a maioria tem dificuldade de administrar. Assim, a forma de nos relacionar com as pessoas, fatos e rotinas mudou, alterando também as condutas, e conseqüentemente, as noções de limites dadas aos filhos.

Os pais passaram a ser naturalmente, por sua ausência, mais permissivos, tolerantes e menos atuantes no limite pontual. Chamo de limite pontual a atuação exata que acontece quando o filho está necessitando de um não. Com os pais fora de casa mais tempo e sem poder atuar sobre o comportamento inadequado quando ele acontece, a escola se tornou um aliado poderoso na luta pela formação e educação de seus filhos.

Com certeza, a escola tenta acompanhar o ritmo em que as coisas acontecem e tem feito muito com o pouco que algumas instituições têm à disposição, mas isto ainda é insuficiente.

Os alunos passam de quatro a seis horas, em média, nas escolas e mais um tanto em cursos complementares, para que seu dia seja preenchido com atividades produtivas, culturais e adequadas. Os pais esperam que estas instituições primem pela boa orientação e formação, mas, como não estão presentes e nem por perto o quanto gostariam, isto não os deixa seguros.

Essa distância cria um sentimento de frustração bilateral. De um lado a escola, que não conhece ou conhece pouco os pais e, de outro, os pais que não estão a par das regras, rotinas e orientações da escola.

Os pais e a escola precisam se aproximar.

* Silvana Martani é psicóloga da Clínica de Endocrinologia da Beneficência Portuguesa de São Paulo - CRP06/16669. Organizadora e autora dos livros “Uma Viagem pela Puberdade e Adolescência” e “Manual Teen”, a especialista orienta pais e professores nesta fase de dúvidas e inseguranças.

 
     
 














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