Geração Alt+Tab, geração do dedão ou simplesmente geração digital

Eles conversam com mais de uma pessoa por meio de um comunicador instantâneo, escrevem e lêem e-mails, baixam vídeos e ouvem músicas. Tudo isso simultaneamente. Assim é a geração atual de jovens que - apesar de manter pouco contato com livros e jornais - é muito bem informada e está em sintonia com a linguagem concisa e objetiva da Internet

     
     

A geração atual bem que poderia ser chamada de geração Alt+Tab. Para quem não sabe, as teclas Alt e Tab, quando pressionadas juntas no computador, permitem que se alternem os programas abertos. Os jovens falam com três amigos simultaneamente em um programa de mensagens instantâneas, como o MSN ou Yahoo Messenger, enquanto escrevem um e-mail, baixam um vídeo, ouvem uma música e ainda escrevem um texto no Word. Trabalham simultaneamente não apenas com vários programas, mas também com diversos problemas e tarefas “off-line” do dia-a-dia.

     
São extremamente informados. A Internet fornece acesso a praticamente qualquer conhecimento que a pessoa deseja obter. Em uma sala de aula, às vezes, os jovens sabem até mais sobre alguns assuntos do que o professor, gerando a necessidade de mudança do papel do mestre: de transmissor de conhecimento para mentor ou orientador sobre o que é relevante ou não no meio do mar de informações disponíveis na rede mundial de computadores.
 
   

 

Estes jovens são impacientes. Não estão acostumados a ler extensos romances ou livros do começo ao fim. Estão habituados com a linguagem da Internet, concisa e objetiva. Não lêem jornal, mas assinam newsletters ou feeds de RSSs, que consistem em uma tecnologia para receber notícias curtas por um programa chamado agregador. O fato de ler menos, aliado ao uso de uma linguagem particular nos programas de mensagens instantâneas, faz com que tenham grandes limitações no uso da língua portuguesa. Muitos jovens escrevem abreviando palavras da mesma forma com que as teclam. Usam “vc” em vez de você, “eh” em vez de é, e símbolos tais como “:)” para expressar um sorriso, e assim por diante.
     
 
Desenvolveram também a musculatura do polegar. A agilidade que possuem para digitar mensagens no celular, com apenas uma das mãos e utilizando apenas o dedão é impressionante. A maioria dos jovens envia dezenas de mensagens de SMS por dia. Devido a esta característica, no Japão, essa geração também é chamada de “oyayubi sedai”, cuja tradução seria “geração do dedão”. Apenas para citar um aspecto, repare como apertam uma campainha. Muitas pessoas de mais idade pressionam a campainha com o indicador. A maioria dos jovens o faz com o polegar.
     
Enfim, a denominação mais utilizada, seja por escritores e pesquisadores, acaba mesmo sendo a de geração digital. Esta geração não conhece o que é o mundo sem telefone celular, sem computador e sem Internet. Os jovens nascidos na década de 90 estão agora com seus 18 anos e ingressando no mercado de trabalho. Será um imenso desafio para as empresas conciliar os interesses de quem hoje está nos principais cargos com a cultura desta nova geração, muito impaciente, informada e totalmente conectada.