Existem
momentos na vida em que precisamos nos despedir. Geralmente,
não é nada fácil. Diante do cenário
globalizado, metafísico, tecnológico em
que vivemos a sensação da perda não
é nada bem-vinda. Queremos, e para isto nos cobramos,
apenas ganhar e acumular. Entretanto, ganhar e perder
fazem parte da nossa existência. Aceitar a possibilidade
de perder nos ajuda a superar a dor.
A morte física do corpo é, para a grande
maioria das pessoas do mundo ocidental, a mais temida
das perdas. É um mistério, apesar de todo
o avanço científico conquistado. A possibilidade
da morte nos atemoriza e, paradoxalmente, nos incita a
viver intensamente. É necessário chorar
os nossos mortos, mas imprescindível viver. Aceite
o mistério e concentre-se na vida!
Durante a nossa existência, muitos são os
lutos nossos de cada dia. A começar pelo nascimento.
Deixamos o confortável ventre de nossa mãe
e somos lançados a um mundo desconhecido. A cada
conquista, novas despedidas. Deixamos o seio, as fraldas,
a escola, a faculdade, os antigos amigos, as eternas professoras,
o bairro onde morávamos, a temida adolescência,
um ideal, o emprego dos sonhos..., e nos aventuramos sempre
em direção ao novo. Para permitir que novos
projetos se instaurem, é preciso dizer adeus e
encerrar ciclos. Coragem!
Sim, é preciso coragem para dizer adeus. O que
nos é conhecido e familiar nos conforta, nos dá
a ilusão de segurança, mas pode também
nos aprisionar. O exercício constante a ser feito
para checar a manutenção das nossas escolhas
é verificar que sentido há em mantê-las.
Exercite-se!
Aceitar encerrar um ciclo com lucidez indica maturidade
e é um sinal de que assumimos a nossa parcela de
responsabilidade pela própria vida. O fim traz
em si a potencialidade de uma nova história a ser
vivida. Pense nisto!
*Rosangela Fernandes é psicóloga existencial
especializada em perdas e luto. Atende na Al. Madeira,
258 - Sl. 1.603. E-mail:
rlgf@terra.com.br.