Adeus também foi feito para se dizer

Por Rosangela Fernandes*
 
 
Existem momentos na vida em que precisamos nos despedir. Geralmente, não é nada fácil. Diante do cenário globalizado, metafísico, tecnológico em que vivemos a sensação da perda não é nada bem-vinda. Queremos, e para isto nos cobramos, apenas ganhar e acumular. Entretanto, ganhar e perder fazem parte da nossa existência. Aceitar a possibilidade de perder nos ajuda a superar a dor.

A morte física do corpo é, para a grande maioria das pessoas do mundo ocidental, a mais temida das perdas. É um mistério, apesar de todo o avanço científico conquistado. A possibilidade da morte nos atemoriza e, paradoxalmente, nos incita a viver intensamente. É necessário chorar os nossos mortos, mas imprescindível viver. Aceite o mistério e concentre-se na vida!

Durante a nossa existência, muitos são os lutos nossos de cada dia. A começar pelo nascimento. Deixamos o confortável ventre de nossa mãe e somos lançados a um mundo desconhecido. A cada conquista, novas despedidas. Deixamos o seio, as fraldas, a escola, a faculdade, os antigos amigos, as eternas professoras, o bairro onde morávamos, a temida adolescência, um ideal, o emprego dos sonhos..., e nos aventuramos sempre em direção ao novo. Para permitir que novos projetos se instaurem, é preciso dizer adeus e encerrar ciclos. Coragem!

Sim, é preciso coragem para dizer adeus. O que nos é conhecido e familiar nos conforta, nos dá a ilusão de segurança, mas pode também nos aprisionar. O exercício constante a ser feito para checar a manutenção das nossas escolhas é verificar que sentido há em mantê-las. Exercite-se!

Aceitar encerrar um ciclo com lucidez indica maturidade e é um sinal de que assumimos a nossa parcela de responsabilidade pela própria vida. O fim traz em si a potencialidade de uma nova história a ser vivida. Pense nisto!

*Rosangela Fernandes é psicóloga existencial especializada em perdas e luto. Atende na Al. Madeira, 258 - Sl. 1.603. E-mail: rlgf@terra.com.br.