Compulsividade por compras

Por Rosani Maria Calegari


As pessoas confundem o sintoma compulsivo com o Transtorno Obsessivo Compulsivo – TOC. Perguntam se é a mesma coisa. Digo que NÃO. O Transtorno Obsessivo Compulsivo fundamenta-se em rituais que geralmente são ricos em detalhes. A pessoa se encontra capturada por uma determinada ideia. Esta ideia está ligada a crenças, higiene e organizações exageradas.

Quanto à Compulsão por Compras (Oniomania), a pessoa repete uma ação com-
pulsivamente e quase sempre não existe uma questão formulada sobre esta ação específica de comprar.

Atualmente, um dos fatores que pode levar uma pessoa a se tornar um dependente por compras é o mundo capitalista em que vivemos. Então, quando o objeto de desejo é adquirido, pensa-se conseguir ostentar status. Desde cedo, as crianças são estimuladas a competir e são recompensadas por isto. Quando se tornam adultas, elas precisam ser bem-sucedidas e continuam buscando suas recompensas. Muitas vezes, porém, o ser humano não está preparado para abarcar toda esta demanda. O resultado desta descompensação emocional pode desencadear uma série de ansiedades. Geralmente, o compulsivo nem está interessado no objeto em si, mas no prazer momentâneo que sua aquisição lhe oferece. O compulsivo está “doente”, provavelmente impossibilitado de se perceber como “doente”, e, consequentemente, de procurar ajuda. Neste caso, é imprescindível a intervenção familiar ou de amigos próximos.
 
 

Existe tratamento para a compulsividade. O primeiro passo é reconhecer o problema e querer ajuda profissional. Dependendo do grau da compulsividade é necessária a utilização da medicação específica. O ato da compra preenche um “vazio sem nome”. É prazeroso e momentâneo, logo, a necessidade de repetir a ação. O apoio da terapia ou uma análise testemunha o sofrimento, a culpa, a vergonha e a impotência do ato compulsivo.

O tratamento é fundamental, mas não é garantia de cura. A pessoa, às vezes, parece estar curada em determinado momento. Mas, ao passar novamente por alguma situação de angústia a qual não consegue suportar, ela pode voltar a comprar. O oniomaníaco que já se submeteu a um tratamento não está livre de uma recaída, porém, terá melhor compreensão da sua ação-situação. Na questão da compulsão, faz-se necessário acompanhamento terapêutico e às vezes médico também.

 
 















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Rosani Maria Calegari

Psicóloga e psicanalista
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