| |
|
| |
|
|
|
|
 |
| |
|
|
 |
sssss |
Saúde
íntima das adolescentes
Orientações gerais sobre DST, infecções
e métodos anticoncepcionais são importantes
para a saúde na adolescência
Segundo a OMS - Organização Mundial da Saúde,
a adolescência é o período entre 10
e 19 anos. Durante esta fase, mudanças ocorrem
no corpo da menina que está se transformando em
mulher, fazendo com que a adolescente tenha muitas dúvidas,
até mesmo com relação à orientação
do início da atividade sexual (riscos e dores)
e dos métodos anticoncepcionais (oral, de emergência
ou preservativos). Dificilmente a adolescente questiona
sobre os riscos de contrair DST - Doença Sexualmente
Transmissível em sua primeira consulta ao ginecologista. |
| |
A
adolescente deve procurar o ginecologista logo após
a primeira menstruação (menarca), assim
se familiarizará com o médico e se sentirá
à vontade nas próximas consultas, podendo
esclarecer todas as suas dúvidas. A privacidade
de todos os pacientes deve ser sempre respeitada e a adolescente
não foge a isto, portanto fica a critério
dela a presença ou não da mãe ou
responsável. “Muitas vezes, é a mãe
quem está mais ansiosa, nem sempre ela tem ciência
do início da atividade sexual da filha. Nos casos
em que a relação mãe-filha é
extremamente aberta, a presença da mãe ajuda
na troca de experiências”, comenta a médica
ginecologista Dra. Eliana Cristina Barbiero. Para ela,
a abordagem deve ser clara e livre de preconceitos, respeitando
o grau de maturidade e limites da menina. “O importante
é não a traumatizar em nosso primeiro encontro,
caso contrário, o trauma pode ser levado para toda
a vida adulta”.
Dra. Eliana esclarece que algumas orientações
básicas costumam acontecer durante as visitas das
adolescentes. Dentre elas, sobre o desenvolvimento endócrino-genital;
distúrbios menstruais; início da atividade
sexual, bem como suas consequências e riscos; infecções
vaginais; métodos anticoncepcionais; e riscos de
infecção por DST. “Meninas virgens
têm incidência maior de infecções
causadas por bactérias provenientes do intestino,
entre elas a mais comum é a escherichia coli,
que causa corrimento vaginal. A orientação
quanto à higiene íntima se faz necessária
nestes casos”, explica. |
| |
 |
| |
Uma das causas mais frequentes de consultas é a
candidíase, não só em adolescentes,
mas também em mulheres adultas, principalmente
em meses quentes quando banhos de piscina e/ou mar são
comuns, e o biquíni seca no corpo, mantendo assim
maior umidade vaginal e, consequentemente, predispondo
à infecção pelo fungo.
Dra. Eliana comenta que algumas ocorrências de DST
após atividade sexual, como sífilis, gonorréia,
hepatite B, hepatite C, Aids e mais comumente HPV (papiloma
virus humano) vêm aumentando devido à
promiscuidade e à falta de um reforço constante
na orientação.
Outro ponto observado pela ginecologista é que
muito se tem questionado sobre a vacina contra HPV. “A
imunidade ocorre apenas para alguns subgrupos do vírus,
como o 16 e o 18, os potencialmente oncogênicos
para o câncer de colo uterino. A vacina tem um custo
elevado e deve ser aplicada em três doses e em pacientes
que ainda não tiveram contato com o vírus,
isto é, antes do início da atividade sexual.
A idade recomendada é de 11 a 25 anos”, explica
Dra. Eliana, que finaliza dizendo que as orientações
para as adolescentes devem ser feitas em conjunto: pais,
escola e médicos.
Dra. Eliana deixa uma crônica que reflete sua percepção
do comportamento das adolescentes na primeira consulta,
para que as ajude a entender esse processo. |
| |
 |
| |
Minha
primeira consulta (inesquecível)
Por Dr. Eliana Cristina Barbiero
– Ai, meu Deus! Eu não vou! Que história
é esta agora, mãe? Não tenho nada
para falar!
Minha mãe diz que já estou mocinha e preciso
ir ao ginecologista, quer que a médica me fale
TUDO o que preciso saber, mas o que será isto?
Já tive aula de orientação sexual
na escola, minhas amigas fizeram algumas perguntas, mas
eu fingi que já sabia de TUDO, só para não
mostrar que tinha algumas, ou serão “muitas”
dúvidas; e agora minha mãe vem com essa
de achar que eu vou perguntar alguma coisa para esta médica
que eu nunca vi, nem sei como é.
Pensei que minha mãe já tivesse esquecido,
mas a primeira consulta será amanhã. E se
eu disser que tenho prova? Que estou doente? Acho que
não ia adiantar nada! Mas, já decidi: se
não tem jeito mesmo, vou ficar quieta do começo
ao fim; e tomara que não demore muito.
Chega o dia fatal. Quando entramos no consultório,
a sala está lotada e uma moça (recepcionista)
me pede para preencher uma ficha. Até aí,
tudo bem, mas começo a sentir um frio na barriga,
peço pra minha mãe para ir embora, não
quero ficar, mas ela não desiste, quer mesmo que
eu tire todas as minhas dúvidas, diz para eu ficar
calma, mas como?
A porta se abre e ouço alguém chamar o meu
nome. Bem que podia não ser eu, mas vamos logo
lá..., acabar com essa tortura! Minha mãe
pergunta se quero que ela entre comigo ou se prefiro ir
sozinha. Para mim, tanto faz! Não vou falar nada
mesmo, mas sei que ela quer mesmo entrar comigo, diz que
somos amigas, confidentes, não temos segredos...
Enfim... entramos. A médica até parece ser
simpática, e me pergunta em que pode me ajudar.
Tenho vontade de gritar, mas, infelizmente, não
posso. Fico calada por um tempo e depois digo que não
sei o que estou fazendo ali, que foi minha mãe
quem quis ir. O clima fica um pouco esquisito, mas a médica
resolve quebrar o gelo e diz:- Tudo bem, vou ter que fazer
algumas perguntas. Minha mãe pede que ela me explique
TUDO. Meu Deus! O que será que ela vai querer saber:
se tenho alguma doença? Se já tive relação
sexual??? Tomo anticoncepcional, mas minha mãe
está comigo, e agora? Entrei em pânico!
A médica sorri, parecendo ler meus pensamentos
e tento ficar mais calma. Teria sido melhor ter entrado
sozinha. Minha mãe pergunta se eu quero que ela
saia, mas agora já é tarde... Respondo vagamente
as perguntas, conto que ainda não tive relação
sexual e que tenho muitas dúvidas: vou sentir dor
na primeira vez? Quando devo tomar anticoncepcional? Preciso
usar camisinha? E se ela estourar? Devo tomar pílula
do dia seguinte?
A médica novamente sorri e diz que entende como
estou me sentindo, que é realmente difícil
conversar com quem nem conhecemos, ainda mais sobre assuntos
tão complicados e pessoais.
Começo a ficar mais tranquila e com vontade de
fazer mais algumas outras perguntas. Ela me responde com
palavras fáceis, e não em termos médicos;
esclarece minhas dúvidas, solicita alguns exames
e pede que eu retorne após fazê-los. Diz
ainda que, se eu preferir, posso entrar sozinha da próxima
vez. Até que enfim me sinto melhor e a consulta
acaba.
Eu achei a médica até que bem legal e espero
que da próxima vez seja melhor e quem sabe até
lá já tenha tomado coragem e cuidados, é
claro, para ter minha primeira relação sexual.
Agradeço a minha mãe por ter me levado “à
força” para a consulta médica! |
| |
|
|
_____________________________________
Contato:
Dra. Eliana Cristina Barbiero
Especialista em Ginecologia e Obstetrícia
e Mestre em Ginecologia pela Unifesp
Endereço: Calçada dos Narcisos,
38 – térreo
Centro Comercial Alphaville
Fone: 11 4191-4018
|
| |
|
|
| |
|
| |
 |
|
|