A gripe suína vem recebendo grande destaque na
mídia pela epidemia que parece se instalar especialmente
no México. Os últimos dados da Organização
Mundial de Saúde atestam que 1.200 pessoas já
foram contaminadas, com mais de 100 óbitos atribuídos
ao vírus. No Brasil, mais especificamente em Barueri,
algumas pessoas assustadas estão buscando informações
na rede municipal de saúde. O secretário
de Saúde, médico Maurício Tundisi,
pede precaução, mas diz que não há
motivo para pânico, “até porque ainda
não foi constatado nenhum caso no País”.
“As pessoas que estiveram em países atingidos,
ou tiveram contato com alguém que viajou para esses
locais, devem ser observadas, principalmente se apresentarem
sintomas de gripe”, afirmou.
A gripe suína tem origem a partir da contaminação
do vírus influenza A, o H1N1, que está em
circulação com outro tipo viral, o chamado
B. Enquanto que este circula apenas em humanos, o vírus
A é transmitido entre diversos animais e, a seguir,
entre os homens.
A partir de uma possível troca de material genético
entre vírus influenza de homens e de animais, em
um processo conhecido como "rearranjo", acontece
a produção de um novo vírus híbrido,
tão virulento como o da gripe aviária, e
tão transmissível como a gripe humana.
Pode-se considerar que a doença está em
um momento embrionário, uma epidemia. Existe um
monitoramento em todos os países, sobretudo no
México, no Canadá e nos Estados Unidos,
uma vez que a preocupação é que exista
uma rápida disseminação do vírus,
especialmente pela grande circulação de
pessoas por diferentes regiões.
Transmissão e sintomas
A transmissão da doença acontece
por via aérea, contato manual ou com objetos de
pessoas infectadas pelo vírus. Medidas como isolamento
dos focos, fechamento de escolas e locais de trabalho
e a não formação de aglomerações
de pessoas, como grandes conferências e eventos
públicos, possuem eficácia limitada para
impedir infecções humanas, mas podem retardar
a propagação da pandemia.
O nível de alerta da OMS é o 4, que indica
a visão da organização de um "crescimento
significativo" do potencial de pandemia da doença,
o que pode ser grave devido ao grande número de
pessoas que podem morrer em decorrência dela.
Os sintomas da doença são semelhantes aos
da gripe comum, como febre acima de 39°C, falta de
apetite e tosse. Algumas pessoas com a gripe suína
relatam ainda catarro, dor de garganta, náusea,
vômito e diarréia. Em casos mais graves,
pode ocorrer pneumonia, porém não se sabe
se por consequência do vírus ou se por associação
à outra bactéria.
Prevenção e tratamento
Existem no mercado medicamentos antivirais para
a gripe sazonal, típica de inverno, que tratam
efetivamente a doença. Eles são indicados
quando o indivíduo já iniciou o quadro da
gripe e, de preferência, devem ser iniciados nas
primeiras 24 horas, sempre receitados por um especialista.
Para a gripe suína, as autoridades nacionais e
locais do México e dos Estados Unidos vêm
recomendando os inibidores da neuraminidase da gripe (oseltamivir
e zanamivir), baseadas no perfil de suscetibilidade do
vírus. No Brasil, o único desses medicamentos
disponível é o oseltamivir, comercializado
com o nome de Tamiflu.
É possível, ainda, desenvolver uma vacina
contra o vírus influenza suíno, entretanto,
não há perspectiva a curto prazo. São
necessários pelo menos seis meses para produzir
a vacina.
Por enquanto, o que se deve fazer é orientar a
população sobre a importância da higiene
como medida preventiva. Lavar frequentemente as mãos
com água e sabão; manter uma "higiene
respiratória", cobrindo a própria boca
ao tossir ou espirrar; usar lenços de papel descartáveis
e descartar adequadamente os lenços usados, além
de manter os ambientes fechados sempre bem ventilados
são as principais medidas.
O uso de máscaras pela população
geral não traz um impacto considerável para
retardar a transmissão, mas é indicado especialmente
entre aqueles com suspeita da doença e/ou em viagem
pelas regiões atingidas.
Em caso de suspeita, o paciente deve ser levado imediatamente
a um serviço de saúde para avaliação
médica. |