A importância de poder sorrir

Por Cássia T. Lopes de Alcântara Gil*

Pessoas que sintam qualquer desconforto quanto ao seu hálito ou quanto à aparência de seus maxilares e dentes (tortos, escuros, manchados, separados, pequenos, etc.) comumente se sentem inseguras e/ou excluídas de seus grupos, podendo ser interpretadas como fechadas, mal-humoradas, introvertidas ou indiferentes.

A aproximação para falar, a segurança para expressar opiniões e a manifestação do sorriso ficam muito difíceis, podendo se tornar fator de influência no equilíbrio emocional que envolve a auto-estima. E esse tipo de problema não se esconde, afinal, “está na cara”.
 
Assim, ao pensarmos em qualidade de vida, embora muitos se esqueçam, temos que considerar também a odontologia, porque os problemas bucais interferem fortemente na saúde, até mesmo na emocional, e, conseqüentemente, na qualidade de vida.

Quando falamos em “dentes e maxilares tortos”, que têm grande influência na estética facial, não podemos deixar de considerar as funções por eles exercidas, neste caso certamente comprometidas. A manifestação de que algo não está certo pode aparecer por problemas de dores crônicas de cabeça, dores e zumbidos nos ouvidos, dores cervicais, roncos noturnos, alterações do sono, problemas respiratórios, digestivos e fonoaudiológicos, entre outros sintomas que trazem muito desconforto.
 

A presença de halitose crônica (mau hálito), por exemplo, diferentemente do que muitas pessoas acreditam, não é um problema “de estômago”, mas, em sua essência, de natureza bucal. Poucos casos se devem a problemas estomacais ou pulmonares, que geralmente são transitórios. A maioria deles, 90%, está relacionada à presença de placa bacteriana lingual, chamada de saburra da língua, que pode ter inúmeras origens, como baixa salivação, respiração bucal, gotejamento de muco na região posterior da língua, entre outros. A segunda maior incidência se deve aos problemas gengivais e alguns poucos pontos porcentuais têm como responsáveis a retenção de restos alimentares em cavidades, restaurações ou próteses mal-adaptadas, ou ainda a casos de cáries avançadas.

Os recursos odontológicos para a solução ou redução dos problemas relacionados à halitose e melhoria da estética bucal e facial podem ser aplicados, na maior parte das vezes, em todas

 
as idades. Como exemplo, a ortodontia: já vai longe o tempo em que correções ortodônticas, responsáveis pelo correto alinhamento dos dentes e maxilares, eram feitas apenas em adolescentes. Hoje são aplicadas em crianças com dentição decíduas (dentes de leite) e em adultos, até mesmo com ausência de dentes ou presença de próteses, sem limite de idade. Além disto, hábitos como a escovação e uso do fio dental com técnica e freqüência adequadas são de suma importância como rotina preventiva em saúde bucal.
 
 

Vale lembrar que crianças que ainda não conseguem cuspir não devem utilizar cremes dentais com flúor, porque a concentração deste mineral nos produtos comerciais é calculada para proteger os dentes quando aplicados de forma tópica e não para ingestão, que leva o flúor em alta concentração para a via sistêmica e pode provocar manchas nos dentes permanentes que ainda estão se formando internamente aos ossos.

A visita ao dentista oferece também excelente oportunidade para o aprendizado quanto às melhores formas de higienização e auxiliam no diagnóstico e combate à halitose. A higiene da boca, cuidados com a alimentação e intervenção do dentista para remoção de placa bacteriana ou do acúmulo de tártaro são as principais medidas a serem adotadas para manter a boa saúde bucal.

 

Outra dica é não realizar a escovação imediatamente após a ingestão de alimentos ácidos, pois momentaneamente se estabelece certa fragilidade na estrutura dos cristais de esmalte, que, sob o efeito do atrito da escova, pode se desgastar mais rapidamente. O ideal é esperar aproximadamente uns 30 minutos antes da escovação.

Ter um sorriso agradável, face harmônica e hálito puro, além de sinal de saúde, pode contribuir muito para a melhoria da qualidade de vida. A auto-estima se constrói desde a infância, mas pode ser reconstruída a qualquer tempo. Cuide-se! Olhar-se no espelho e gostar do que vê pode fazer a diferença. Ter saúde, sorrir e ser feliz é viver bem. E viver bem, faz bem.

*Cássia T. Lopes de Alcântara Gil é mestre e doutora em odontologia e autora do livro Proporção Áurea Craniofacial.