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Arco Íris: do limão, saiu uma limonada comunitária
Durante 25 anos, Marlene Damico Lamarco trabalhou como executiva na área de marketing e promoção. O ritmo de trabalho de 14 horas diárias, regado a muita agitação e os desafios constantes, somado ao cuidado com a família, fazia dela uma dessas pessoas “ligada em 220 volts”. As horas de folga eram raras. Mas qualquer tempinho era uma oportunidade de produzir. Ela e o marido aproveitavam para dedicar-se ao trabalho de repaginar apartamentos antigos para venda. Em 1984, aos 33 anos, casada, com uma filha pequena, seu organismo começou a dar sinais de alerta, dos quais o mais evidente foram as dores de cabeça. No ano seguinte, os sintomas pioraram e ficavam mais freqüentes. A primeira providência foi procurar um neurologista. Vários exames depois, nada foi diagnosticado. Fez psicoterapia, mas o problema não se resolvia. As dores continuavam. Aos poucos, ela foi percebendo os rumos que sua vida
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estava tomando. Mas aceitar que deveria mudar era bem mais difícil do que poderia imaginar. “No ritmo alucinante em que eu vivia, era de se esperar que a corda arrebentasse para o lado mais fraco. Eu não respeitei os limites do meu corpo”, conta. “Eu não via limites para a minha energia e só procurava respostas racionais e soluções administrativas. Em nenhum momento imaginei que poderia ser afastada do trabalho para cuidar da saúde. Eu tinha a ilusão de que controlava tudo. Fui surpreendida por um diagnóstico de estresse e, quando o médico me deu os primeiros quinze dias de licença, eu não sabia o que fazer comigo, pois eu só sabia produzir, produzir, produzir”, conta Marlene.
Família e amigos ficaram surpresos. A energia dela, afinal, parecia sempre inesgotável. Assumir que precisava mudar de vida foi um processo longo. “Na minha suposta eficiência, eu negava a crise e fazia de conta que nada estava acontecendo”.
As dores permaneceram por 6 meses e às vezes ficavam mais suaves, mas nunca passavam. Exames específicos foram aconselhados por um neurologista, que não acreditava em causas emocionais. “Ele dizia que eu era muito equilibrada, muito positiva, não acreditava em causas emocionais e chegou a pensar em meningite. Mas nada resolvia o meu problema.”
Depois de 18 anos numa mesma empresa, Marlene foi obrigada a se demitir para entrar em repouso absoluto. Também descobriu que estava grávida da segunda filha. “Depois de algumas semanas, o que me restou foi assistir TV à tarde, que eu achava o máximo da vagabundagem, nos tempos de executada... Sério, eu achava que era executiva, mas na verdade eu era executada”, define ela. Assim, foram dois anos sem atividade profissional, tomando remédios, praticando yoga, mas ainda com um grande vazio. Mesmo assim, conseguiu ainda trabalhar mais quatro anos, mas resolveu parar definitivamente para mudar para Alphaville. “Na verdade, eu estava mudando de vida e pensava que era apenas de cidade.” Marlene conta que sonhava que iria finalmente se sentar em baixo de uma árvore e ler todos os livros que nunca teve tempo de ler e ouvir todas as músicas que queria. Mas não conseguiu. Não tinha “silêncio interior” para a leitura. Neste momento, decidiu recusar as propostas de emprego que ainda recebia. Parou com tudo e assumiu a crise. “Procurei inúmeros caminhos, fui me abrindo para a espiritualidade, tive a felicidade de conhecer pessoas que viviam de forma diferente e a meditação, que trouxe uma grande mudança à minha vida. Com a meditação transcendental, fiquei curada de uma taquicardia atrial, também conseqüência do estresse. Aprendi a trocar a energia do controle, pela energia da entrega. Fui percebendo que somos inteiros e plenos e a felicidade que advém desta descoberta traz uma paz tão profunda que o exterior passa a exercer uma influência cada vez menor em nossas vidas.
Eu tinha o sonho de transformar o mundo, mas só criei o caos. Quando eu percebi que a única pessoa que eu poderia transformar era eu mesma, acabei encontrando meu lugar no mundo e dentro de mim! Aprendi que podemos transformar o mundo, mas somente se começarmos por nós mesmos.
Como fruto destas descobertas, em 1996, foi criada a Oficina Arco Íris, uma instituição que não visa lucros, e que tem por objetivo disponibilizar caminhos de auto-conhecimento, que promovem o bem-estar do ser humano em toda a sua plenitude, levando ao equilíbrio de suas energias físicas, mentais, emocionais e espirituais. O corajoso propósito desse espaço é contribuir para a construção de um mundo mais humano e feliz, livre de qualquer dogma religioso, oferecendo inúmeros cursos e atendimentos gratuitos. Além das atividades livres e abertas à comunidade, o Arco Íris desenvolve um trabalho social para aqueles que não têm oportunidade. Todas as quartas-feiras, das 14:30 às 16:00h, Marlene realiza um encontro do Grupo Arco Íris, um dos trabalhos mais importantes nascidos desses momentos de dor. Promovendo a aproximação entre as pessoas, este encontro utiliza técnicas terapêuticas de psicologia, neurolingüística, meditação, espiritualidade e dinâmicas de grupo. O apoio da mídia da região de Alphaville ao trabalho tem sido fundamental para a divulgação dos eventos. Hoje, ao expor suas experiências e proporcionar novos caminhos, ela tem ajudado muitas pessoas a sair de situações parecidas com a sua. “Demorei 40 anos para descobrir este caminho de poder dentro de mim, mas ele pode ser conquistado em pouco tempo. É uma questão de consciência. Partilho todas as descobertas que fiz ao longo dessa caminhada. Este encontro foi a maneira que achei para agradecer ao Universo o bem que recebi... e da mesma forma... generosamente.”
ARCO ÍRIS OFICINA HOLÍSTICA
Calçada Vitória Régia, 40 - Centro Comercial de AlphavilleTel. 11 4191 4531
E-mail para recebimento da programação - oficinaarcoiris@hotmail.com
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