Não há dúvida de que uma onda de
pessimismo assolou a todos após a quebradeira que
teve origem no sistema habitacional americano, cuja repercussão
singrou os mares e os ares da terra dando contorno distinto
para as soluções macroeconômicas.
Se, por um lado, a paridade das moedas cuja participação
no comércio mundial representa parcela significativa
nessas transações, por outro lado apresentam
desconfortos para alguns. Em contrapartida, outras economias
acabam sendo menos afetadas, e às vezes até
privilegiadas, quando estas circunstâncias são
mais evidentes, não só pela dependência
de uma nação em relação à
outra, mas também em face do comércio existente
entre elas – mais especificamente pela perda relativa
de valor entre as moedas.
Na última sexta feira, 27 de novembro, novo susto
e ainda não sabemos o que vai acontecer. Dubai,
o paraíso que todos sonham, não vive só
de ilhas artificiais. De uma hora para outra, chega ao
conhecimento do mundo a mais nova quebradeira. Falam em
US$ 100 bilhões. Aí as bolsas sentem o impacto
e o dólar arrisca um voo mais discreto aqui. Na
Ásia a situação é outra: o
dólar perde valor. Todas as crises têm perfis
distintos. Mais do que nunca, esta é distintíssima!
Quando a quebradeira envolve um número grande de
pessoas o embroglio pega forte.
Entretanto, em Dubai pode ter ocorrido um fenômeno
que todos sabem, mas fingem que não. Coisa de presidente.
Apesar da crise que teve início no começo
do ano, ou seja, já se vai um ano de histórias
do tipo perda de emprego, empregados deixando o país
e largando seus carros nas ruas, gente que não
tem condição de honrar financiamentos de
veículos e imóveis e por aí vai.
Em Dubai, 90 % da população é composta
por estrangeiros que para lá foram em busca de
sorte, conforto e dinheiro, é claro. As casas de
personalidades mundiais construídas nas bordas
das folhas da palmeira, além de abrigarem o conforto,
a sofisticação e a ostentação,
amargam o famoso: 50% OFF. Fazer o quê? Risco é
risco em qualquer espaço do universo. Mas, calma.
Eu, que aprecio ditados e piadas, pois ambos trazem em
seus contextos e âmagos doses brilhantes de sabedoria,
lasco a minha prescrição, apesar de não
ser doutor: Mais vale um gosto que um dinheiro no bolso.
Embora os grandes afetados por esta nova bolha, onda ou
como se queira nominar possuam um perfil diferente da
maioria dos mortais, nem por isso estas manobras deixam
de tirar fininhas dos pobres transeuntes esparramados
pela terra. A Vale do Rio Doce, uma de nossas multinacionais
experientes, também está associada à
Dubai Aluminium, empresa dos Emirados Árabes que
opera no segmento de alumínio. Tomara que a carne
para o natal continue em queda, já que lá
fora o povo parece que ficou mais vegetariano.
Como nós ganhamos muito, temos até um salário
a mais no fim do ano, podemos nos dar ao luxo de comprar
um carro e pagar dois, sem contar os juros do financiamento.
Quem quiser comprar o veículo agora é bom
esperar até janeiro, porque os menos avisados ou
mais afoitos vão estourar a grana na entrada, e
como as montadoras estão praticando uma política
de juros zero com 50% de entrada nos carros médios,
é melhor deixar o Papai Noel encher mais o saco
e você adquirir seu carrão antes do carnaval.
No mais, como diria Roberto Carlos, eu prefiro as curvas
da estrada de Santos. Vou pra praia me bronzear. Aqui
a areia, com certeza, não vai afundar como suspeitam
os técnicos que dizem que as ilhas artificiais
de Dubai correm o risco de afundarem, como, aliás,
já afundaram as contas dos que para lá foram
a trabalho ou diversão. Que pena que isso ocorra! |