Esta história de crise já está
passando da conta. Embora seus efeitos chamem a atenção
dia após dia, acredito que o mundo todo daqui
a pouco vai ficar doutor em crise, ou melhor, pós-graduado,
e alguns ainda PHD. Nunca se ouviu falar tanto de números
tão grandes, cifras que pouquíssimos têm
a noção de seu tamanho e extensão.
Que eu me lembre, só no pós-Primeira
Guerra Mundial, na Alemanha, entre janeiro de 1922 e
dezembro de 1923, a taxa acumulada de inflação
ascendeu a um bilhão por cento. Um dólar
americano valia 4.62 milhões de marcos. A segunda
maior inflação é bem mais recente
e ocorreu no Zimbábue, atingindo 2,2 milhões
por ano, em 2008. Cem bilhões de dólares
zimbabueanos compravam exatos dois pães. Só
estes números já assustam.
Mas, o que deveria ser motivo de maior preocupação,
sem sombra de dúvida, afora a crise, que já
é fato consumado, é que a vida, em qualquer
país, fosse mais provida de conforto, cultura
e entendimento entre as pessoas; que os produtos daqui
e de lá se complementem e contribuam, cada um
a sua maneira, para o bem-estar de todos.
Em Barueri somos privilegiados. Uma cidade que até
pouco tempo atrás era cognominada de “dormitório”
recebe uma rodovia e um novo conceito imobiliário,
o Alphaville, e três décadas após
passa a compor a elite das co-irmãs brasileiras,
causando inveja, e quem sabe até dor de cotovelo,
em alguns políticos.
Não é fácil uma cidade disponibilizar
200 mil empregos. Imaginemos só isto dentro de
uma população que logo chegará
aos 300 mil habitantes. Muito menos fácil é
fazer dessas pessoas profissionais que preencham qualidades
a fim de enfrentar as exigências do trabalho.
E que tem o Chico Anysio, cearense, humorista, sete
vezes casado, como registra seu currículo a ver
com esta história?
É que uns poucos privilegiados puderam assistir
ao show no Teatro Municipal de Barueri, show
este como parte das inúmeras comemorações
dos 60 anos de nossa cidade. O show em si tinha
duas vertentes básicas: a primeira era ele, o
artista, contando piadas; e outra a platéia,
cantando música brasileira. Era um coro só.
Afinado musicalmente, nem tanto. Mas afinadíssimo
de encantamento e participação. Tudo era
poesia da maior sensibilidade. Chico Buarque, Antonio
Marcos, Roberto Carlos, Tim Maia, Vinicius de Moraes,
Tom Jobim, Lulu Santos, entre outros. Ali eu via e sentia
a cara do Brasil, a cara de Barueri.
Barueri acordou com o barulho da Castelo Branco. Levantou
para trabalhar no seu quintal agora recheado de investidores
que, com suas bases operacionais, aqui não deixam
mais nossa metrópole dormir. A cultura chegou.
A sensibilidade tem distinguido nossas famílias.
A educação está mudando a cabeça
dos nossos jovens. A saúde está fortalecendo
nosso corpo. Estamos nos preparando para o futuro. O
futuro tem que ser sempre agora. À crise temos
que dar um basta. Crise? Tô fora!
Quem imaginaria um mês de festas e eventos da
melhor qualidade comemorando um aniversário de
60 anos? Se para alguns 60 anos até poderia parecer
velharia, como já repeti algumas vezes e o faço
agora, as cidades, com exceção das “Cidades
Mortas de Monteiro Lobato”*, estas têm o
privilégio de rejuvenescerem a cada ano que passa.
E Barueri, a cada novo aniversário, torna-se
mais jovem, mas bonita, mais culta, mais profissional,
mais inteligente. É mais gente. É mais
Barueri. E mais Francisco Anysio de Paula Filho, maranguapense,
um velho novo que completará 78 anos no dia 12
de abril. Parabéns, Barueri pelas suas conquistas.
E para não esquecer os números, ainda
bem que a nossa inflação vai sendo domada.
Como disse o Chico: “antes eu contava até
10. Agora eu conto até 5”. Nossa inflação
chegou a um dígito. Oxalá os juros também
sejam logo de um dígito!
* Cidades Mortas, livro de José Bento Renato
Monteiro Lobato (18/04/1882 – Taubaté -
04/07/1948 – São Paulo) publicado em 1919,
que relata a decadência do café no Vale
do Paraíba, SP.
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