Crise: pára ou não pára?

Sabemos todos - os que lêem, buscam e encontram no conhecimento o entendimento para as questões comunitárias - que continuar falando em crise já parece um tanto enfadonho. Embora perceba também que isto possa ser verdade, continuo na expectativa de que dias melhores hão de vir, não só para os indivíduos de consciência limpa, mas também, e sobretudo, para aqueles que têm como obrigação as políticas que envolvem as pessoas por todos os cantos do mundo.

Falo exatamente dos governantes, nas suas mais variadas formas de atuação e agora, também, dos dirigentes de grandes empresas. Enquanto não forem discutidas políticas que privilegiem a educação e as reformas que tanto se preconizam, lamentavelmente haveremos de ficar falando aos ventos e nada acontecerá. Se as pessoas deixarem a política, mesmo esta que presenciamos no dia-a-dia, correr às soltas, não há dúvida que o mar de lama não vai se extinguir tão cedo. E mar de lama todos sentem, seja no sentido lato da palavra, seja no seu sentido intrínseco.

Santa Catarina conheceu o problema. Sempre defendi e continuarei defendendo a idéia de que a vida subordina-se às regras, sejam elas naturais, ou aquelas para cujos resultados os iniciados foram buscar soluções no estudo e na experiência e tais resultados são usufruídos por pequena parcela da população.

Você, que reside em condomínio; você, que paga estudos para seus filhos; que remunera a falência da saúde; que tem de contratar serviço de segurança; que paga pedágio e acha bom, já que a maioria das estradas não tem qualidade; que não vê descontado sequer no imposto de renda os valores a mais que lhe levaram e não teve a contrapartida dos serviços públicos... Você é o cara. Uma nação não é o contorno do mapa que aprendemos na escola. Uma nação é, acima de tudo, a consciência de um povo que convive no espaço circunscrito nas linhas limite do mapa, que vê, sente e comunga o respeito às normas, o respeito à natureza, o respeito à criança e ao velho. Uma nação jamais poderá ser um amontoado de oportunistas que operam por trás das cortinas e por debaixo dos tapetes. Uma nação é o fruto do trabalho e da informação e onde a transparência deve ceder lugar às portas abertas.

Na maioria das vezes, o que você vê nada tem a ver com o que você ouve. Se o vidro tem como contrapartida a transparência, seguramente ele não é um condutor sonoro. O conhecimento não pode ser negado, muito menos contido dentro de escolas caras e de baixa qualidade. O conhecimento através dos meios de comunicação tem que ser levado, a que custo for, aos mais longínquos rincões.

Não podemos ficar à mercê dos hipócritas e daqueles que habitam os palácios e cuidam bem dos vassalos e eunucos, pois só a eles é merecida a gula e o sexo sem nexo. Vamos cuidar das nossas infra-estruturas e das nossas soberanias. Embora eu não quisesse falar em crise, é impossível esquecer do novo socorro ao City Group, da quebra da AIG e do ajuste do todo-poderoso HSBC, e dos 100 mil veículos retomados pelas financeiras daqui. E ainda tem gente que acha que Deus é brasileiro... Como os problemas continuam mais pesados do lado de lá, já estou pensando em ser menos cético.



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