Economia do laissez-faire*?
Quando você vai ao esculápio,
antes de qualquer coisa precisa obedecer aquilo que
ele lhe prescreve, ou então, como disse nosso
presidente: não tomando o remédio direito,
você “sifu”. Infelizmente depois que
a doença se instala é pouco provável
que a recuperação seja rápida.
Aliás, de remédio todos devemos estar
com o saco cheio, principalmente quando a prescrição
vem da presidência.
A mim parece que economia é resolvida com planejamento,
realização, controle e correção
de rumos. Também é movida por respeito
às normas, contratos, desoneração
de toda sorte, acrescida de legislação
trabalhista que respeite, acima de tudo, os homens,
e respeite, principalmente, a cultura na qual eles estão
inseridos. Se se valer de regras exógenas, a
emenda poderá ser mais complicada que o soneto.
Vamos acrescer mais à nossa economia política
tributária, fiscal, e monetária que não
deixem dúvidas e que respeitem, insisto, os cidadãos.
Sem ir muito longe, quem paga tributo municipal –IPTU-
em Barueri e Santana de Parnaíba sabe muito bem
do que estou falando. Apreciaria, de coração,
que os efeitos desta crise não durassem
mais que o suficiente para o retorno à normalidade.
Quem entende de crise, ou melhor, de situações
anômalas, arrisca poucos prognósticos,
uma vez que, sendo as causas diversas, os efeitos também
diferem. E qualquer analogia com fatos passados não
é necessariamente suficiente para soluções
futuras.
Entretanto, falar de economia utilizando a medicina
como solução, é provável
que a coisa não tenha remédio mesmo. Os
que acompanham os fatos econômicos sabem, em parte,
se defender. Aqueles que perderam dinheiro para os espertalhões
vão preferir pensar mais vezes antes de acreditar
nas promessas... E que promessas! No primeiro momento
do atual dilema econômico, quantas versões
otimistas! O Brasil está mais do que nunca preparado,
imunizado, para o que der e vier. Marola aqui quebra
na praia e não quebra empresa. A Vale mandou
gente embora. A Petrobrás pediu socorro aos bancos.
O petróleo caiu de 147 para 38 dólares
o barril. US$ 147,00 x R$ 1,60 = R$ 235,20 o barril
cinco meses atrás. Hoje US$ 38,00 x R$ 2,30 =
R$ 87,40 o barril.
A Petrobrás justifica o preço em dólares.
A gasolina brasileira é das mais caras do mundo.
Olhe para os números acima e tire suas conclusões.
O nosso juro é hours concours. Ganha
o tempo todo de todos. O mundo abaixa os juros e o Copom
(Comitê de Política Monetária do
Banco Central) nem dá bola. Puxa... até
que enfim deram um quebra galho no IPI dos automóveis
e grana para as construtoras. E os outros setores da
economia não estão sujeitos às
mesmas intempéries? Temos os melhores
e mais baratos portos do planeta, sem contar
com as magníficas estradas que escoam
a produção. Temos os melhores
aeroportos que nesse final de ano só tiveram
40% de atraso nos embarques. Quando dos acidentes com
a Gol e a Tam o presidente jurou que tinha prazo certo
para acabar. Já vai mais de ano e o que não
acabam são as filas e o descaso. Só que
esquecemos que precisamos exportar para crescer, deixando
à míngua um grande contingente de cheios
de vales e bolsas vazias. Bolsas família, educação,
vales refeição, condução,
gás. Esse povo precisa é mais de educação,
informação, cultura e respeito. Ou convivemos
no mundo globalizado entendendo suas regras, éticas
e condutas, ou nos voltamos para o enorme potencial
interno para crescer. As economias sobrevivem da produção.
Estas, dos consumidores. Estes, das oportunidades. O
mundo só vicejará por meio da boa vontade
e da compreensão. Parece que os demagogos, os
inescrupulosos e os inconseqüentes poderão
estar com seus dias contados.
*Laissez-faire é parte da expressão
em língua francesa "laissez faire, laissez
aller, laissez passer", que significa literalmente
"deixai fazer, deixai ir, deixai passar".
Frase legendariamente atribuída ao comerciante
Legendre, que a teria pronunciado numa reunião
com Colbert, no final do século XVII. “Que
faut-il faire pour vous aider? perguntou Colbert.
Nous laisser faire, teria respondido Legendre”.
O primeiro autor a usar a frase laissez-faire,
numa associação clara com sua doutrina,
foi o Marquês de Argenson por volta de 1751. A
expressão refere-se a uma filosofia econômica
que surgiu no século XVIII, que defendia a existência
de mercado livre nas trocas comerciais internacionais,
ao contrário do forte protecionismo baseado em
elevadas tarifas alfandegárias.
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