Água benta não faz mal a ninguém

Hoje a nação brasileira e o mundo estão estarrecidos com a calamidade que ocorre, em especial, em Santa Catarina, e também no Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Este fato acontece, aconteceram no passado e infelizmente continuarão acontecendo.

Em minhas conversas anteriores fiz algumas analogias com a economia que futuramente deverá ser instrumento de contabilização e não de planejamento. Também comentei sobre balanços das multinacionais, aqueles que criam dinheiro virtual, sem falar naquela oportunidade dos orçamentos dos governos e muito menos da contabilidade destes, aquela contabilidade que tem de passar pelos tribunais de contas, quer sejam dos municípios “grandes”, dos Estados ou da União. E o que isso tem a ver com a tragédia que aconteceu com nossos irmãos barrigas-verdes?

Para quem não sabe, a cidade que mais tem experiência em tragédias, se assim podemos falar, é a cidade de Blumenau. É exatamente Blumenau, aquela mesma que anualmente nos dá a alegria da Oktoberfest. A Oktoberfest, na sua versão blumenauense nasceu em 1984 da vontade do povo em expressar seu amor pela vida e pelas tradições germânicas. Consagrada como a segunda maior festa alemã do mundo, ela nasceu inspirada na maior festa da cerveja do mundo, a Oktoberfest de Munique, Alemanha, que deu seus primeiros passos em 1810, no casamento do Rei Luis I da Baviera com a Princesa Tereza da Saxônia e me ocorre ter sido uma atitude dos blumenauenses para recobrar o ânimo da cidade em face das enchentes que sempre assolaram a cidade.

O orçamento federal dispõe de verba para obras que devem atender às chamadas situações de riscos. Para que se tenha uma idéia, o atual orçamento previa uma verba de R$ 360 milhões, dos quais foram aplicados menos que R$ 50 milhões. Em 2006 e 2007 também foram utilizados em torno de 10% do orçamento previsto. Em 2005, a verba simplesmente não foi utilizada. Então, em parte, dá para entender o porquê das coisas acontecerem. O que vemos costumeiramente nas ditas áreas de risco é que o risco não é iminente. O risco é uma realidade que parece até que tem hora para acontecer. Não é um tsunami. Esse não avisa. Mas quando as pessoas se vêem na contingência de ocupar áreas desprotegidas de qualquer sorte e até propiciando, pela ocupação desordenada, a ocorrência das catástrofes, aí estamos chamando o perigo. Entretanto, na maioria dos casos no recente episódio, todos infelizmente sofreram as conseqüências da falta de controle das autoridades, quer seja o uso da lei para fazer cumprir exigências técnicas de uso e ocupação do solo, ou nos estudos mais apurados de identificação das áreas de risco, quer seja no uso da pouca verba para que pudessem, pelas respectivas obras, amenizar o grande impacto sofrido.

Não tenho a menor experiência em geologia, mas quem constrói estradas deve ter nessa ciência, a pós-graduação. Sabemos que, diante de situações sui generis, também a ciência falha, mas você assistir encostas deslizando como sorvete derretido é provável que não foi dada a devida atenção para o solo do local. Com isso tudo a terra cai sobre as casas, a terra cai sobre as estradas, o porto pára de funcionar, o transporte não anda, o socorro fica difícil, as pessoas morrem, as pessoas ficam desabrigadas, mas a solidariedade aparece.

Solidariedade é a palavra mágica que atinge a todos nós nas oportunidades das coisas ruins. O que precisamos é ter mais cuidado e mais acuidade na solução dos problemas que nos cercam, seja na nossa casa, no nosso bairro, na nossa cidade, Estado e País. Enquanto não resolvermos grandes problemas que a própria humanidade causou, estaremos cada vez mais sendo sucumbidos, quem sabe pela revolta da natureza. Vamos contabilizar os prejuízos e as mortes. A natureza não cobra impostos, mas também não deixa para amanhã sua rebeldia. - Ah! O governo liberou uma verba de R$ 1,6 bilhão para socorro das vítimas-. Só nos resta rezar e fazer o coro da mudança de atitudes; e como dizem: água benta não faz mal a ninguém... mas... quem paga a conta?




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