A “cama de gato” ou aprendendo
com os... erros... dos outros
Quando fiz o curso de Economia, algumas coisas me chamavam
atenção, como fatos relevantes do processo
de evolução do que se relacionava com
o crescimento da riqueza dos povos. Fato que puxava
a lista era a quebra da bolsa de Nova York, em 1929,
que levou o desespero aos quatro cantos do mundo pelos
anos 30. É bem verdade que o ambiente de então
não era o de hoje. A velocidade e a amplitude
da informação faziam não só
com que a notícia não causasse tanta repercussão
como obviamente era limitada na sua abrangência.
Mas..., crise é crise. Aqui entre nós,
muitos se mataram; o governo comprou a produção
do café e depois teve de queimar.
Presenciei uma cena grotesca no interior de Minas Gerais,
lá pelos meus 16 anos, e já faz quase
50. Um senhor de família de fazendeiros perambulava
pela rua, maltrapilho e fora de si. Questionando seus
parentes, a resposta foi sua quebra em face daquela
situação de penúria pela qual passaram
nossos empresários, em conseqüência
da crise de 29, como ficou conhecida. Hoje, apesar de
que, no primeiro momento, nosso presidente falou que
não iríamos sequer ter uma marolinha,
o correr dos dias são mais sinceros e já
falam que o mar não está para peixe, não.
Quanto mais pessoas estiverem nesse jogo com o espírito
do ganho fácil, mais desequilíbrios ocorrerão.
O que a maioria dos economistas tem recomendado é
cautela. É conselho. Também não
podem falar outra coisa. É como gripe. Se você
pressente que ela vem, você se defende melhor.
Mas se ela vem sem avisar, não existe panacéia
que reanime o moribundo. Na situação atual,
havia, por parte de alguns, o conhecimento do sintoma;
entretanto, não se deu bola para o visionário
e todo mundo bateu palmas para aquele gestor da grande
multinacional que recebeu milhões de dólares
de bônus pelo seu maquiavelismo-alquimista em
fazer surgir dinheiro da cartola. Dinheiro virtual.
Agora, na sua pequenez, seria mais interessante
montar no coelho e sumir rapidinho antes que algum maluco
queira dividir o cheque.
Monsieur Guy Sorman, economista francês residente
nos EUA, declara que a economia cresce de bolha especulativa,
em bolha especulativa. As bolhas, afirma Sorman, estão
relacionadas a ciclos de inovação tecnológica.
Recorda que, dos 3.000 fabricantes de automóveis,
no início de século XX, nos EUA, hoje
só ficaram dois. Que 80% das 5.000 empresas de
internet no ano 2000, no Vale do Silício, desapareceram.
Apesar da crise, um número crescente de americanos
anda de automóvel, tem acesso à internet
e um número cada vez maior está se tornando
proprietário de imóveis. Segundo Sorman,
nós vamos passar mais uma, e como ele veio aqui
lançar seu livro A Economia não Mente,
seria interessante ler o dito cujo para conhecer o outro
lado da verdade, se é que existe. Por falar em
gripe, e espera-se que a economia não engripe
(lamento o trocadilho), você, leitor, já
percebeu que todas essas circunstâncias adversas
carregam, na sua essência e razão de ser,
enormes ensinamentos? Alguém já havia
me avisado que nós, mortais, aprendemos de duas
formas: a primeira é aprendendo; a segunda, é
errando e sofrendo. Façamos as apostas. Mas,
cuidado para que não sejam lances muito altos!
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