Economia de uma nota só?

O que tem a ver os 50 anos da bossa-nova com um comentário sobre economia? Quem tem por volta de 60 anos com certeza foi e é um fã da bossa-nova. Certamente naquela oportunidade nossos famosos desfilavam com o novo ritmo pelo mundo e principalmente pelos Estados Unidos. O Carnegie Hall, em Nova Iorque, era mais palco para artista brasileiro que para americano. Os duetos brasileiro-americanos – João Gilberto, Tom, Vinicius, Stan Getz, Frank Sinatra -fizeram sucesso desmedido, e nós iniciamos o processo de ensinar à boa parte do mundo que o Rio de Janeiro era a capital do Brasil, e não Buenos Aires. Era o início do processo do aculturamento da sociedade americana – do norte, central e do sul - tentando uma homogeneidade não só da cultura, mas também econômica.

Em 1948, foi criada pelo Conselho Econômico e Social das Nações Unidas a Cepal – Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe. A Alalc- Aliança Latino- Américana de Livre Comércio, criada em 1960. Em 1980, com o fracasso da Alalc, foi criada a Aladi – Associação Latino-Americana de Integração. À época, a Argentina e o Brasil fizeram progressos, assinando a Declaração de Iguaçu -1985, que estabelecia uma comissão bilateral, à qual se seguiram uma série de acordos comerciais em 1986. O Tratado de Integração, Cooperação e Desenvolvimento, assinado por ambos em 1988, fixou como meta o estabelecimento de um mercado comum, ao qual outros países latino-americanos poderiam aderir. Com a adesão do Paraguai e do Uruguai, os quatro países tornaram-se signatários do Tratado de Assunção -1991, que estabelecia o Mercado Comum do Sul, uma aliança comercial visando à dinamizar a economia regional.

Foi estabelecida uma zona de livre-comércio, em que os signatários não tributariam ou restringiriam as importações um do outro. A partir de 1° de janeiro de 1995, esta zona converteu-se em união aduaneira, em que todos os signatários poderiam cobrar as mesmas quotas nas importações dos demais países (Tarifa Externa Comum). A Bolívia e o Chile adquiriram status de associados, no ano seguinte. O Chile encontra-se em processo de aquisição do status de associado pleno, depois de resolver alguns problemas territoriais com a Argentina. Outras nações demonstram interesse em entrar para o grupo, embora a incorporação ao Mercosul dependa da aprovação dos congressos nacionais do bloco. A eficácia jurídica das regras oriundas do Mercosul depende da recepção pelos ordenamentos nacionais, para que elas possam produzir seus efeitos, processo este conhecido como internalização, passando, pois, os ditos dispositivos, a pertencer à ordem interna de cada Estado, fora das atribuições e responsabilidades do Direito Internacional, haja vista não existir um poder central punitivo no referido bloco econômico.

É exatamente neste sentido que não se acredita existir nenhuma segurança jurídica em tal tipo de incorporação. Na verdade, não há uma ordem jurídica propriamente dita no Mercosul, tampouco uma norma fundamental que imponha seu cumprimento, prejudicando, assim, a existência de um poder de sanção a possíveis infratores. Este é o cenário atual da integração econômica nas Américas. Enquanto não existir respeito pelos contratos e esforços contínuos dos governos envolvidos, estaremos comemorando outros 50 anos, como agora estamos lembrando o samba de uma nota só. Com uma grande diferença: o samba foi, é e será sucesso.



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