Transparência, especulação
ou futuro?
Esta é a terceira vez que participo de um encontro
com os leitores neste espaço de cultura e conhecimento
no qual me foi dada oportunidade, o que só fez
redobrar minha responsabilidade. Recebi não apenas
comentários pertinentes, como também aquela
famosa questão sobre onde e quando investir.
Um assunto que me chamou atenção foi que,
em meu primeiro artigo, fiz alusão à economia
relacionada à contabilidade e, neste particular,
anúncio feito pelo ministro Guido Mantega, afirmando
que baixará uma portaria para dar início
ao processo de mudança na contabilidade do setor
público, com o objetivo de aproximá-la
dos padrões internacionais.
Segundo o ministro, as alterações preconizadas
prevêem clarear o gasto do Governo com os juros
da dívida pública, uma vez que, ao falar
de superávit primário, o Governo
deixa de lado ou omite as despesas com os juros. Os
juros são as maiores despesas da União.
A contabilidade atual do Governo, diz o ministro, trabalha
com padrão feito em época de inflação
alta e déficit fiscal elevado, que eram
os parâmetros do passado.
Para se ter uma idéia, calcula Mantega, a variação
de um ponto porcentual de alta de juros custa ao País
entre R$ 7 e R$ 8 bilhões por ano. Acrescenta
ainda que “inventamos conceitos de contabilidade
que não existem em nenhuma parte do mundo”,
e “os conceitos universais são simplesmente
de superávit ou déficit
fiscal”. Mantega avalia que tudo ficará
mais visível no setor público, citando
que as três maiores despesas da União são
as da Previdência (R$ 180 bilhões), juros
(R$ 170 bilhões) e folha de pagamento (R$ 130
bilhões). Todas são previsões para
2008. É evidente que medidas dessa natureza,
que contemplam principalmente a clareza dos fatos e
a transparência nas atitudes, nos dão conforto
para acreditar num futuro melhor.
E, por falar em futuro melhor, vamos a uma questão
fundamental para as pessoas que querem aplicar suas
economias. A resposta aqui é a mais simples possível.
Não existe mágica. Sorte é sorte.
Azar é azar. Provavelmente todos já ouviram
falar na famosa cesta de ovos. Quem põe todos
os ovos numa só cesta corre o risco da quebra
geral. Não existe investimento que propicie lucro
de curto prazo. Quando se aplica em uma empresa tradicional,
não há dúvidas de que, lá
na frente, ter-se-á uma rentabilidade muito boa.
Caso você queira entrar no mercado para especular,
precisa, antes de tudo, conhecer bem as regras do jogo.
Eu disse jogo. E jogo tem aquela de ganhar
hoje e perder amanhã. Volte ao primeiro artigo
60 dias atrás e confira: petróleo US$
140 o barril. Hoje, previsão para outubro, no
sistema ICE Futures, em Londres, US$ 113,92 o barril
(sic).
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