Produzir mais ou pagar mais?
Certamente muitos de vocês já ouviram falar
em economia de escalas ou na lei dos rendimentos decrescentes.
É comum que, em economia ou nos setores que atingem
ou operam num dado patamar de tecnologia, os ganhos
de escala decorrentes sejam repassados para os custos
de produção e, destes, para o preço
dos produtos ofertados pelo comércio em geral,
dos quais nós somos os consumidores finais.
Quem não se lembra das vantagens do free
shop, quando ficávamos satisfeitíssimos
em poder levar a última novidade em forno de
microondas, videocassetes – aqueles que tínhamos
que transcodificar, e os celulares mais modernos, que
ainda só falavam. Sem citar, em tempos
mais recentes, os notebooks, que passaram a
ser as grandes “coqueluches”.
Hoje compramos esses mesmos produtos, com muito mais
tecnologia embarcada e com preços que nada têm
a ver com os de outrora; e os trocamos por novos modelos
numa velocidade sequer imaginada. Isso é que
chamamos de economia de escalas, ou, por outro lado,
lei dos rendimentos decrescentes. Baseadas em sistemas
modernos de produção, as indústrias
trabalham cada vez mais para oferecer ao mercado produtos
atualizados a preços menores. Há cerca
de dois anos adquiria-se um televisor de plasma de 32”
por seis mil reais a vista. Agora nós temos valores
entre um mil e seiscentos e dois mil e quinhentos reais,
em até 12 vezes.
Bem, e onde vamos chegar com esta conversa? Com certeza
você não utiliza o transporte público.
Ainda bem! E por que isso? Nossa população
não chega a três por cento da população
mundial. A indústria automobilística brasileira
fecha este ano com aproximadamente três e meio
milhões de veículos – o que significa
algo em torno de cinco e meio por cento da produção
mundial. Se estamos num mercado em franca expansão,
por que não temos a redução de
preços, ou seja, por que não ocorre aqui
a lei dos rendimentos decrescentes? Temos que nos conformar
em pagar dois veículos e levar um. Provavelmente
há montadoras levando muito lucro, o que não
parece correto, diante do fato de que quem leva o lucro
é o sócio maior – o governo. E pagamos.
Sabemos ainda que o receio da volta da inflação
já fez com que o Banco Central iniciasse o processo
de alta acelerada dos juros. Já se fala em desaceleração
de crescimento. Se isso ocorrer, o desemprego poderá
voltar. É pagar pra ver. E continuamos em segundo
lugar com os juros mais altos do mundo...
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