Economia como instrumento de ação social
 
 

Ao ser convidado a escrever, me manifestar sobre Economia, neste importante espaço que é comandado pela incansável Anica Beara, meu primeiro sentimento é uma forte dose de orgulho pela distinção. É um grande prazer poder ser levado à condição de transmitir idéias, discutir problemas, enfim, opinar sobre fatos relevantes que de primeira à última análise têm influência direta sobre nossas vidas.

A Economia, como ciência, vai das preocupações das ciências exatas até as ciências humanas. Há de se convir que a tarefa de calcular os efeitos do aumento do preço do petróleo nas diferentes economias globais certamente extrapola qualquer conhecimento matemático e passa pelas equações estatísticas em que suas variáveis levam em conta as peculiaridades de cada país; como é estruturada sua economia propriamente dita e a interdependência desta com as demais a ela atreladas.

Como na maioria das nações, os órgãos reguladores são comandados pelo Estado, o que se constitui em outra variável que é a componente política. Aí aparecem os Hugos Chaves que vendem para os Estados Unidos o barril do petróleo pelo preço de mercado – US$ 145,00 e vende o mesmo barril a Cuba por US$ 5,00. Também surgem os Evos Morales, que atacam instalações de gás, por nós construídas e operadas, e dão um enorme susto àqueles empreendedores brasileiros que viram nesta opção energética uma solução mais econômica para suas operações, comparadas ao alto custo do petróleo e do carvão. Isto sem falar no aquecimento que ambos causam na atmosfera, e no frio que já faz parte daquelas pessoas que tremem, só em saber das conseqüências que as aguardam.

Se formos fazer aqui análises e comparações de situações atuais, certamente incorreríamos no risco de errar. É possível que, daqui para frente, a Economia seja uma ciência como a Contabilidade e a História, mesmo porque esta registra a qualidade dos fatos; e a Contabilidade, a quantidade de acertos e erros que tais fatos despejaram sobre a humanidade.

A Economia, como ciência, como ferramenta de controle e de previsão, tem, a meu ver, a grande tarefa de se dar bem com a política e ser desta um instrumento de planejamento e correção de rumos. Quando me refiro à política estou falando de estratégia, da administração dos recursos disponíveis, das oportunidades que devem ser levadas a todos os seres humanos e da luta incessante pelas prioridades. Caso contrário, será a economia, ainda, e por muito tempo um mecanismo concentrador de riquezas e disseminador de conflitos, injustiças e insegurança. E isso todos nós sentimos... e de perto!