Nesta
semana acompanhei o caso de um executivo que foi surpreendido
por dois agressores ao chegar a casa, e penso que possa
ilustrar muito bem o presente artigo. Daniel (nome fictício)
estava chegando ao seu condomínio, após um
dia de 14 horas de trabalho. Sua rotina é praticamente
a mesma todos os dias: acorda, faz sua higiene, toma seu
café e sai, rigorosamente no mesmo horário.
Procura sempre atentar para o melhor caminho, fugindo do
trânsito e praticamente conhece cada desvio, pois
repete este cenário todos os dias úteis: deixa
os filhos na escola e segue para o seu escritório.
Naquela noite, por volta das 19h30, ao se aproximar do condomínio
com seu novo carro, digno e conquistado com seu trabalho,
foi surpreendido por dois marginais. A ação
foi muito rápida e praticamente nem teve tempo de
prestar atenção aos detalhes. E ele, que há
poucos instantes tinha planos de somente chegar em casa
para abraçar sua família e passar os poucos,
mas oportunos momentos de qualidade com ela, teve sua rotina
modificada em questão de segundos.
Violentos, logo o colocaram no banco de trás com
a cabeça abaixada para que não observasse
os rostos dos agressores, e ali começava um dos momentos
mais terríveis e tensos de sua vida: queriam dinheiro,
cartões, ir até a sua casa, pegar seus filhos...
A cada minuto que passava nas mãos e poder dos assaltantes,
Daniel rezava e pensava em sua família. “O
que posso fazer?”. Era a pergunta que se fazia. “Como
posso me livrar? Será que dá para reagir?”.
Pensava assim, pois os dois eram franzinos, mas estavam
armados e violentos, talvez sob influência de drogas.
Achava que em determinado tempo poderia, em um vacilo dos
agressores, tomar suas armas e reconquistar o domínio
do momento.
Esta história ocorreu com o Daniel, mas poderia ser
com qualquer um, e a pergunta fica: como evitar viver esta
situação e, caso venha a ocorrer, o que fazer
em caso de assalto?
Inicialmente é importante entender que, nestas situações,
há dois tipos de agressores, completamente diferentes
entre si: um é o ocasional, com grande impacto agressivo
e que quer obter o mais rapidamente possível o que
veio buscar, que normalmente é uma quantia em dinheiro
para satisfazer suas necessidades. O outro é o agressor
que atua após planejamento, de maneira fria, calculista
e preparada.
O mais comum é o ocasional, em que os agressores
andam em locais que sabem poder encontrar suas vítimas
potenciais, aliando sua motivação (vontade
de cometer o crime) e técnica (maneira de agir) à
oportunidade do momento. E é sobre a oportunidade
que vamos tratar de forma mais enfática, pois é
justamente ela que define quem é a vítima
em potencial.
No caso ilustrado, percebe-se claramente que Daniel seguia
rotinas de horário, de deslocamento, de hábitos
em geral, o que comprometeu seriamente sua segurança
e a de sua família. Há uma série de
precauções que podem ser adotadas de forma
simples, sem comprometer a rotina diária, e que podem
justamente distinguir você de uma vítima em
potencial. Vamos a elas:
- evite rotinas de deslocamentos, mudando pequenos trajetos
que não permitirão emboscadas por criminosos;
- modifique horários com frequência;
- observe sempre, ao chegar e ao sair de casa ou do escritório,
as movimentações de pessoas, veículos
e motos, que não são padronizadas e que são
diferentes. Dê importância a tudo que venha
a chamar sua atenção!;
- aumente seu raio de visão para mais de 50 metros,
pois o comum é observarmos os primeiros 10 ou 15
metros mais próximos;
- guarde bolsas, notebooks, caixas, sacolas e tudo
que possa atrair a atenção para o seu veículo
no porta-malas;
- mantenha vidros fechados e portas dos veículos
travados, em especial quando for parar em semáforos,
evitando oferecer esmolas ou doações a pedintes,
que muitas vezes usam estes artifícios para distrair
a sua atenção. Prefira ajudar instituições
idôneas que assistam as pessoas que realmente necessitam;
- converse com sua família a respeito de ações
de prevenção;
- em caso de assalto, mantenha a calma (difícil fazer,
mas tente), pois sua calma, com movimentos previamente avisados
(... “eu vou pegar a carteira no meu bolso esquerdo”...),
pode evitar uma confusão por parte dos assaltantes
e pode, ao mesmo tempo, diminuir o estresse do momento;
- identifique detalhes (cor de cabelos, altura, cor da pele,
tatuagens ou cicatrizes, modo de fala e tudo o mais que
possa identificar os agressores – detalhes como cor
de roupa, bonés e outros acessórios são
facilmente retirados e toda a descrição é
modificada. Prefira atentar para características
marcantes do indivíduo). Nos trabalhos que realizo
em grupos familiares ou empresas, vejo ser este um dos mais
importantes e menos utilizados mecanismos de observação;
- não reaja! Mantenha a calma e na primeira oportunidade
ligue para o telefone de emergência da polícia
190.
Ah, e quanto ao desfecho da história narrada no início
do artigo, por sorte o Daniel trazia consigo bens considerados
de valor, que foram julgados o suficiente pelos dois agressores,
e eles o abandonaram ileso em um bairro distante, o que
permitiu que ele chegasse bem em casa.
Lembro que a maioria dos casos ocorre nos momentos de chegada
e saída de casa. Mas não se pode contar com
a sorte quando o assunto é segurança, não
é mesmo? |
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