O que fazer em caso de assalto?

Por Arthur Alvarez*
 
 

Nesta semana acompanhei o caso de um executivo que foi surpreendido por dois agressores ao chegar a casa, e penso que possa ilustrar muito bem o presente artigo. Daniel (nome fictício) estava chegando ao seu condomínio, após um dia de 14 horas de trabalho. Sua rotina é praticamente a mesma todos os dias: acorda, faz sua higiene, toma seu café e sai, rigorosamente no mesmo horário.

Procura sempre atentar para o melhor caminho, fugindo do trânsito e praticamente conhece cada desvio, pois repete este cenário todos os dias úteis: deixa os filhos na escola e segue para o seu escritório.

Naquela noite, por volta das 19h30, ao se aproximar do condomínio com seu novo carro, digno e conquistado com seu trabalho, foi surpreendido por dois marginais. A ação foi muito rápida e praticamente nem teve tempo de prestar atenção aos detalhes. E ele, que há poucos instantes tinha planos de somente chegar em casa para abraçar sua família e passar os poucos, mas oportunos momentos de qualidade com ela, teve sua rotina modificada em questão de segundos.

Violentos, logo o colocaram no banco de trás com a cabeça abaixada para que não observasse os rostos dos agressores, e ali começava um dos momentos mais terríveis e tensos de sua vida: queriam dinheiro, cartões, ir até a sua casa, pegar seus filhos...

A cada minuto que passava nas mãos e poder dos assaltantes, Daniel rezava e pensava em sua família. “O que posso fazer?”. Era a pergunta que se fazia. “Como posso me livrar? Será que dá para reagir?”. Pensava assim, pois os dois eram franzinos, mas estavam armados e violentos, talvez sob influência de drogas. Achava que em determinado tempo poderia, em um vacilo dos agressores, tomar suas armas e reconquistar o domínio do momento.

Esta história ocorreu com o Daniel, mas poderia ser com qualquer um, e a pergunta fica: como evitar viver esta situação e, caso venha a ocorrer, o que fazer em caso de assalto?

Inicialmente é importante entender que, nestas situações, há dois tipos de agressores, completamente diferentes entre si: um é o ocasional, com grande impacto agressivo e que quer obter o mais rapidamente possível o que veio buscar, que normalmente é uma quantia em dinheiro para satisfazer suas necessidades. O outro é o agressor que atua após planejamento, de maneira fria, calculista e preparada.

O mais comum é o ocasional, em que os agressores andam em locais que sabem poder encontrar suas vítimas potenciais, aliando sua motivação (vontade de cometer o crime) e técnica (maneira de agir) à oportunidade do momento. E é sobre a oportunidade que vamos tratar de forma mais enfática, pois é justamente ela que define quem é a vítima em potencial.

No caso ilustrado, percebe-se claramente que Daniel seguia rotinas de horário, de deslocamento, de hábitos em geral, o que comprometeu seriamente sua segurança e a de sua família. Há uma série de precauções que podem ser adotadas de forma simples, sem comprometer a rotina diária, e que podem justamente distinguir você de uma vítima em potencial. Vamos a elas:

- evite rotinas de deslocamentos, mudando pequenos trajetos que não permitirão emboscadas por criminosos;

- modifique horários com frequência;

- observe sempre, ao chegar e ao sair de casa ou do escritório, as movimentações de pessoas, veículos e motos, que não são padronizadas e que são diferentes. Dê importância a tudo que venha a chamar sua atenção!;

- aumente seu raio de visão para mais de 50 metros, pois o comum é observarmos os primeiros 10 ou 15 metros mais próximos;

- guarde bolsas, notebooks, caixas, sacolas e tudo que possa atrair a atenção para o seu veículo no porta-malas;

- mantenha vidros fechados e portas dos veículos travados, em especial quando for parar em semáforos, evitando oferecer esmolas ou doações a pedintes, que muitas vezes usam estes artifícios para distrair a sua atenção. Prefira ajudar instituições idôneas que assistam as pessoas que realmente necessitam;

- converse com sua família a respeito de ações de prevenção;

- em caso de assalto, mantenha a calma (difícil fazer, mas tente), pois sua calma, com movimentos previamente avisados (... “eu vou pegar a carteira no meu bolso esquerdo”...), pode evitar uma confusão por parte dos assaltantes e pode, ao mesmo tempo, diminuir o estresse do momento;

- identifique detalhes (cor de cabelos, altura, cor da pele, tatuagens ou cicatrizes, modo de fala e tudo o mais que possa identificar os agressores – detalhes como cor de roupa, bonés e outros acessórios são facilmente retirados e toda a descrição é modificada. Prefira atentar para características marcantes do indivíduo). Nos trabalhos que realizo em grupos familiares ou empresas, vejo ser este um dos mais importantes e menos utilizados mecanismos de observação;

- não reaja! Mantenha a calma e na primeira oportunidade ligue para o telefone de emergência da polícia 190.

Ah, e quanto ao desfecho da história narrada no início do artigo, por sorte o Daniel trazia consigo bens considerados de valor, que foram julgados o suficiente pelos dois agressores, e eles o abandonaram ileso em um bairro distante, o que permitiu que ele chegasse bem em casa.

Lembro que a maioria dos casos ocorre nos momentos de chegada e saída de casa. Mas não se pode contar com a sorte quando o assunto é segurança, não é mesmo?

 
 











*Arthur Alvarez

20 anos de experiência na área de Segurança, Bacharel em Ciências de Segurança Pública, formado em Direito, com especialização em Direito Penal e Processual Penal, atualmente cursa MBA de Gestão Executiva no INSPER/IBMEC.
arthuralvarez@uol.com.br