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10/02/2016 22:20 - Atualizado em 10/02/2016 22:20
Cães de guarda são agressivos?
Katia Ramos

Infelizmente, muitas raças de cães de guarda foram perdendo suas características originais em razão de cruzamentos errados e não controlados. Por esse motivo, encontramos cães excessivamente bravos e, o que é bastante comum, cães medrosos que não se prestam à finalidade de guarda. Assim, para escolher o cão ideal, é importante conhecer um pouco do padrão da raça e buscar um canil idôneo que selecione animais de temperamento bem definido para guarda.

As raças comumente usadas para guarda são pastor alemão ou belga, dobermann, rottweiler, fila brasileiro, mastim napolitano, mastiff, dogue brasileiro, cane corso, entre outras.

Há raças que não possuem instinto de guarda, no entanto, podem assustar pelo tamanho (dogue alemão e são bernardo), aparência (boxer e husky siberiano) e até pela valentia e temperamento de alarme (fox paulistinha e muitos vira-latas). Não se pode esperar desses cães o comportamento de um cão de guarda, mas se o interessado desejar apenas um "efeito moral", podem ser uma opção bem interessante. Certamente, um pouco arriscada para assegurar a guarda da residência, mas uma saída para algumas situações, como medo de criar cães bravios, crianças muito pequenas em casa etc.

Outro aspecto importante é conhecer eventuais problemas genéticos que possam afetar a raça. Os rottweilers e pastores alemães, por exemplo, podem ser acometidos de displasia coxofemural. Daí é importante exigir do criador exames negativos dos pais do filhote para essa doença. 

As raças de pelagem curta e pouco espessa não se adaptam bem em locais com invernos rigorosos. O dobermann é um exemplo disso. Cães de pelagem longa, por outro lado, necessitam de cuidados, como escovação diária.


O local

Apartamentos não são locais ideais para se criar cães de grande porte, principalmente os de guarda. Parece óbvio, mas alguns cometem esse erro. O cão preserva o seu território e vai considerar as áreas comuns do edifício como tal. Assim, compartilhar os elevadores com outros moradores e funcionários será um problema, pois o cão poderá atacar. Isso sem falar na falta de espaço que estressará o cão e o tornará facilmente irritável. 

Quem dispõe de casa com uma área pequena para manter o animal deve pensar duas vezes. Os cães precisam de espaço e de exercícios. Também é um erro construir um canil e deixar o cão preso o dia todo. Para ter um cão de guarda, é preciso espaço suficiente para que ele possa se exercitar e tempo para lavá-lo para passear.

É importante ressaltar que o temperamento do cão vai muito da maneira na qual ele for tratado. Se você der amor, receberá amor. Há uma frase que li uma vez e achei bem interessante: "Diga o que você quer que eu seja?" Ass: Pit bull.

Não compre, adote um animal!!!

Abaixo, compartilho o depoimento de uma amiga que tem um rottwailer como cão de companhia para crianças.

 

“O Ozzy chegou em casa com 3 meses. Ganhei de presente de aniversário do meu amigo e criador Juliano Ravache. Quando em um jantar comentei que estava à procura de um cachorro, ele me ofereceu um filhote. Naquele momento eu disse ‘Não!’. É um rottwailer e eu tenho duas crianças pequenas em casa! Nem pensar!’. E pensei ‘esse tipo de cachorro é aquele que morde e mata crianças!’. Ele insistiu para que fôssemos conhecer o canil e nos assegurou que cachorros por si só não são uma ameaça e que cada cachorro tem um temperamento que depende de sua genética, do seu lugar na matilha e/ou grupo e, é claro, da sua criação no ambiente. É claro que depois de conhecer o filhote me apaixonei pela ideia de ter um bebê daqueles (mas com medo). O adestrador fez testes com os filhotes para assegurar que ele não era o alpha da ninhada e nem muito assustado e lá fomos nós quatro embora do canil. Esperamos mais um mês e fomos buscá-lo no meu aniversário. A Antônia, que na época não tinha dois anos, veio com ele no colo e desde então são muito amigos. Ele a respeita, mas foi crescendo... E hoje com quase 60 kg ela ainda o chama de cachorro fofinho. Já com o Luís Felipe o lance é correr e disputar brinquedos (então fico mais atenta, pois é um cachorro grande e sempre permito que brinquem sob supervisão). Acredito que nunca devemos nos esquecer que animal tem instintos e que crianças não têm muita noção do outro, o que pode causar acidentes. Então não importa se é um rottwailer, um labrador ou um poodle, crianças precisam de supervisão e não é diferente quando estão com animais”.

Mila Graves, 34 anos, mãe de Luís Felipe (4 anos) e de Antônia (2 anos), e do Ozzy, um rottwailer de 1 ano

 

Fonte: Como criar um cão de guarda, da médica veterinária Silvia Parisi – www.webanimal.com.br

Katia Ramos é uma Protetora Independente de Animais, apaixonada por bichos e, claro, pela Chow Chow Sharon Stone, de nove anos, que é uma celebridade pet.Moradora de Alphaville há 11 anos, Katia também participa de causas contra os maus tratos aos animais e também faz parte do Grupo das Meninonas S.A, de Alphaville, como Diretora de Proteção aos Animais.

Cãoluna
com Katia Ramos
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