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07/07/2017 23:01 - Atualizado em 07/07/2017 23:01
A revolução do basquete no Brasil
Para a NBA, desenvolver o basquete brasileiro é fundamental para os negócios e ganhos de longo prazo. Entenda como a liga americana vem sendo peça-chave para o renascimento do esporte no País
Claudio Mortari Jr.

Olá pessoal, este mês quero compartilhar com vocês essa matéria que a Isto É Dinheiro fez sobre o basquete brasileiro, com entrevista de João Fernando Rossi, nosso vizinho no Tamboré 3. Vale a pena a leitura! Até a próxima!

 

Por André Jankavski, Moacir Drska, da Isto É Dinheiro

Desde 2012, quando abriu seu escritório local, a NBA não tem medido esforços para impulsionar seus negócios no Brasil. Acordos comerciais, maior exposição na mídia, promoção de eventos de divulgação da marca e contratos de licenciamento de produtos são algumas das frentes que ajudaram a posicionar o País como o seu segundo mercado internacional, atrás apenas da China.

Porém, mais do que essas iniciativas, a liga americana sabe que desenvolver o basquete brasileiro é um elemento chave para o sucesso dessa estratégia. Sob essa visão, desde 2014, a NBA apoia o Novo Basquete Brasil (NBB), campeonato criado há nove anos pela Liga Nacional de Basquete (LNB), diretamente ligada aos clubes brasileiros. O torneio nasceu após uma série de desmandos e casos de corrupção envolvendo a Confederação Brasileira de Basquete (CBB).

Na prática, a parceria envolve uma troca de experiências entre as diversas instâncias da NBA e os dirigentes da LNB e dos clubes do NBB. “Nossos times comerciais, de operação e de marketing estão em contato constante para ajudar no que for necessário”, diz Arnon de Mello, vice-presidente da NBA na América Latina. Depois de priorizar temas relacionados à gestão, ele ressalta que o próximo foco é reforçar temas diretamente relacionados ao jogo, por meio de iniciativas como a consultoria na área de arbitragem e o uso de softwares de calendário.

Mais do que o acesso a todo o conhecimento dos americanos, a proximidade e a chancela da NBA ajudou a LNB a superar a imagem arranhada da modalidade no mercado e entre o público em geral. “Ninguém acreditava no NBB no início, pois o basquete estava sem nenhuma credibilidade”, diz João Fernando Rossi, presidente da LNB. “Hoje, o basquete está voltando a ser ‘cool’ e acredito que podemos voltar a ser o segundo esporte mais popular do Brasil”.

Dados de uma pesquisa do IBOPE Repucom indicam que a estratégia vem surtindo efeito. Segundo o estudo, 41% dos internautas do País, um universo de 32 milhões de pessoas, são superfãs ou fãs da modalidade. Desse total, 73% afirmam ter interesse pelo NBB. “A NBA foi o grande instrumento para esse renascimento, mas é fato que o NBB também contribuiu”, diz José Colagrossi, diretor-executivo do IBOPE Repucom. “Existe uma sinergia muito grande entre os dirigentes das duas ligas. E o NBB já incorporou um pouco do padrão NBA”.

Outros números refletem os benefícios dessa aproximação. Durante a temporada 2016/2017, o público nas arenas do NBB aumentou 13%. Na final deste ano, o Paulistano, clube tradicional da cidade de São Paulo, mandou um de seus jogos no ginásio do Parque São Jorge, localizado dentro do clube do Corinthians. Isso porque a quadra em sua sede comporta apenas 1,2 mil pessoas. Na partida decisiva, o Paulistano viu seu público ultrapassar 5 mil pessoas.

O crescimento também ficou evidente nos patrocínios. Se antes era difícil negociar por conta da falta de credibilidade, hoje o NBB conta com apoios de empresas como a Sky, Avianca, Nike e Caixa Econômica Federal – que paga R$ 5,5 milhões por ano para ter a sua marca exposta nos naming rights. “Mais do que incentivar o esporte, também temos interesses comerciais com o NBB”, diz Gerson Bordignon, superintendente de Promoções e Eventos da Caixa. “Fechamos negócios durante os jogos e ainda temos uma grande visibilidade em cidades do interior, origem de boa parte dos times”.

As equipes, antes acostumadas a serem custeadas somente com o dinheiro dos sócios dos clubes e o apoio de prefeituras, também vêm conseguindo atrair a atenção de empresas. E não apenas das grandes. É o caso do Paulistano, tradicional clube de São Paulo, que tem a Corpore, corretora de seguros de saúde baseada na capital paulista, como principal apoiadora. No ano passado, quando começou a patrocinar o clube, o faturamento bruto da empresa saltou de R$ 8,2 milhões para R$ 30,1 milhões.

Para este ano, com o Paulistano disputando o título do NBB com o Bauru, o diretor executivo Luisvaldo Bezerra prevê um aumento das vendas em 130%. “Claro que o crescimento está ligado a inúmeros fatores, mas podemos dizer que o nosso posicionamento de marca com o patrocínio contribuiu para acelerar o ritmo”, diz Bezerra. “Acredito que a Corpore pode ser um exemplo que pequenas e médias empresas também podem ter sucesso investindo no basquete”.

O Mogi, de Mogi das Cruzes, cidade da Grande São Paulo, também tem atraído o interesse de empresas de todos os portes. Além do patrocínio máster da incorporadora Helbor, o time conta com o apoio e/ou patrocínio de doze companhias, entre elas, empresas do próprio município. Os resultados em quadra também estão contribuindo para esse avanço. Em 2016, vieram os títulos paulista e sul-americano. No NBB, o Mogi é o líder em público há três temporadas, com uma média de 3 mil pessoas por jogo.

Sob a influência da NBA e da maior interação entre os próprios clubes do NBB, o time mogiano está investindo em novas frentes para reforçar o caráter de entretenimento nos jogos e, ao mesmo tempo, criar outras fontes de receita a partir da exploração de sua marca. Durante as partidas, por exemplo, a equipe usa recursos de iluminação como um diferencial na apresentação dos jogadores, além de manter uma loja para a compra de produtos oficiais no ginásio. Regatas, agasalhos, bonés, canecas e diversos outros itens oficiais também são vendidos na loja física inaugurada em julho de 2016, em uma parceria com a confecção esportiva Overtime, da região.

Em média, o Mogi já vende cerca de 3 mil camisetas por temporada. “Todos os times têm ainda um grande caminho a percorrer, mas é fato que o basquete brasileiro deu um grande salto nos últimos anos”, diz Nilo Guimarães, secretário de Esporte e Lazer de Mogi das Cruzes, armador titular da seleção brasileira de basquete na década de 1980 e um dos gestores do time mogiano. Ele destaca, por exemplo, um estudo anual conduzido pela LNB, que mapeia os pontos positivos e o que deve ser melhorado em cada equipe da liga, em temas como gestão, estrutura para jogadores, marketing, captação de patrocínios e entretenimento. “Essa visão é um reflexo direto do impacto do contato com a NBA”.

Além do vínculo estabelecido com o NBB, ganhar espaço entre as novas gerações é outra prioridade da NBA para consolidar a retomada do basquete no Brasil. “Nossa ideia é ser a primeira opção dos jovens que ainda estão escolhendo seu esporte preferido”, diz Mello. Nesse ano, a liga americana promoveu a primeira edição brasileira da Jr. NBA League, competição que reuniu 450 jovens, entre 12 e 14 anos, de 30 colégios particulares de São Paulo. Cada uma das escolas representou uma franquia da NBA. Ao mesmo tempo, desde 2015, a marca mantém uma parceria com o projeto Gibi, com aulas para 15 mil alunos de escolas públicas de São Paulo e do Rio de Janeiro. A iniciativa inclui a capacitação de professores e a oferta de material de treino. “Não é um grande segredo e não existe uma poção mágica”, afirma Mello. “É preciso gastar. Investir. Com o tempo, o retorno virá”.

Foto: Gabriel Reis

Claudio Mortari Jr. é profissional de Educação Física especialista em Treinamento Desportivo, Gestão Estratégica de Negócios e Marketing. Atuante na área de Gestão Esportiva, organização de eventos e competições esportivas. Contato: mortarijr@terra.com.br

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com Claudio Mortari Jr.
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