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12/01/2017 18:57 - Atualizado em 12/01/2017 18:57
60 anos: anistia geral
Marlene Lamarco

Olhei para minha vida e percebi que muitas coisas mudaram de sentido e adquiriram um novo significado. Tomei consciência de algumas visões ou decisões, muitas vezes tão diferentes das que habitaram meu imaginário por anos a fio, que até pensei estar equivocada.

Os valores vão se modificando... A casa ficou grande demais, muita área, muitos móveis, muitas peças e o tempo disponível para cuidar disto tudo parece que diminuiu. Na verdade, o tempo é o mesmo, mas diminuiu o desejo de cuidar de coisas e aumentou o desejo de cuidar de mim.

Aquele projeto que eu pensava que queria, joguei no lixo. Aquele que eu tinha medo de querer, coloquei na pauta, virou razão de vida. Cansei dos traumas de infância e das agendas que organizam tudo e desorganizam o essencial. A viagem está muito interessante e eu não quero perder nada, nem me desperdiçar com coisas que me afastem de mim mesma ou daqueles que amo.

Estou em novo treinamento, sou uma pessoa meio provisória: não sou mais aquela que eu era e ainda não sou aquela em que me transformarei, mas estou adorando o processo. Um exercício de liberdade que poucas vezes tive coragem de reconhecer... e de pôr em prática.

Não quero mais teorias, quero o exercício da vida, olhar para cada cantinho do coração, e da mente, e ver se aquilo deve continuar vivo ou se deve morrer. Dizem que a felicidade tem a ver com vida longa e memória curta. Nisso estou 10, ando me esquecendo de uma porção de coisas... e tenho alma longeva.

Se eu esqueci, não era importante. Lembra quando a gente falava isso ainda criança? O corpo trabalha a nosso favor e tem uma sabedoria própria, se ele esqueceu, é pra deixar ir. Parar com a contabilidade maluca dos deveres, dos “tenho que”, das ações que esperam de mim... Aliás, vou parar com qualquer lançamento, chega de débitos, créditos, julgamentos, autocomiseração e críticas. Vou rasgar o Livro Caixa e vou me ocupar de coisa mais importante.

E o que é importante? A alma sabe a resposta: anistia geral para todas as mágoas, angústias, cobranças e obrigações. Vou me dedicar a isso, anistiar primeiramente a mim mesma, depois os que estão ao meu lado.

A partir de agora, anistia geral!!!

A estrada percorrida é muito mais longa do que a estrada que está por vir. Por isto o tempo passou a ser a minha maior riqueza; o perdão, a melhor borracha; e o olhar... ah o olhar agora está aprendendo a jogar fora as observações de crítica e julgamento para se fazer cada vez mais compassivo e apaixonado.

Quero a presença do silêncio, da música, da natureza, da luz, do pasmo diante das coisas mais simples e do compartilhar com profundo respeito as buscas pessoais e o amor pelas pessoas. Quero o mapa do tesouro, sim, mas não quero rotas traçadas nem sonhos de vitrine. Quero os sonhos que ainda moram dentro de mim... e aqueles que ainda vão nascer.

Do ponto da estrada em que me encontro, já posso ver a linha do horizonte... mas isto não me assusta. Ao contrário, me ensina que, a partir de agora, quero treinar pra ser só amor.

Marlene Damico Lamarco é Pedagoga e Fundadora da Oficina Holística Arco Íris, uma Ong que se dedicou por 16 anos  ao equilíbrio e desenvolvimento humano, através dos inúmeros caminhos do autoconhecimento. Também atuou durante 25 anos como executiva na área de marketing do varejo. Dedica-se há mais de 25 anos ao estudo e prática de ciências esotéricas, meditação, psicologia e xamanismo.

Ponto de Equilíbrio
com Marlene Lamarco
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