Colunistas

08/11/2016 08:51 - Atualizado em 08/11/2016 08:51
Estou em transição de carreira, o que não fazer?
André Freire

As atividades diárias de um executivo em transição de carreira são tão ou mais complexas do que a de um profissional empregado. Como muitos sabem, não basta enviar seu currículo para todos os seus contatos e esperar, pois potencialmente pouco vai acontecer. Mas quero hoje focar em alguns pontos que tenho observado como consultor de carreiras, que muitas vezes podem jogar contra o executivo que busca uma recolocação:

Currículos "diferenciados" - existe uma nova onda de currículos ditos "diferenciados" que transformam o modelo tradicional em algo que parece recém-saído de uma apresentação de agência publicitária, com seus gráficos, cores e complexidades. Pode parecer muito original e inovador para o potencial empregador, mas costuma ser bastante complexo para as consultorias, que normalmente usam o modelo tradicional como base para seus relatórios. Sugiro deixar os modelos mais modernos de lado, a não ser que queira buscar uma posição em startups de tecnologia ou empresas específicas. Recebi alguns modelos assim de CFOs e Diretores Comerciais, não fica legal... e gera mais retrabalho para as consultorias.

Mensagens pelo LinkedIn - o LinkedIn é uma ferramenta fantástica que facilita muito a interação dos executivos em transição e as empresas e consultorias, assim seu uso deve ser multiplicado. Tenho recebido, porém, diversas mensagens pelo sistema do LinkedIn com a pessoa se apresentando para mim e convidando para que eu entre no perfil dela e lembre dela quando surgir uma vaga. A chance de que eu veja esta mensagem é pequena, a de que eu entre no perfil é menor ainda e a de que eu "lembre" da pessoa é praticamente impossível. Como fazer então para me achar? Todas as consultorias possuem um website com a lista de todos os seus sócios por área de atuação. Entre no website da consultoria, busque o sócio ou consultor da sua área de atuação, e mande um e-mail diretamente para ele com seu CV em português e inglês anexo.

Feedback em processos seletivos - muitas consultorias ou empresas pecam neste importante item. Dar feedback ou follow up sobre um processo é uma obrigação ética e moral com alguém que você convidou para fazer parte de um processo seletivo. Infelizmente estamos muitas vezes em uma posição complexa como consultores, pois dependemos de nossos clientes para passar um feedback aos candidatos. Sei que o tempo passa muito mais devagar para alguém em transição, mas mandar e-mail ou mensagem a cada dois dias sobre o processo não vai adiantar muito. Minha sugestão seria questionar a cada dez dias no máximo, caso a consultoria não lhe informe antes. Processos seletivos estão cada dia mais longos e complexos, e os clientes estão com pouco tempo nesta época de crise.

O final do ano está chegando, agora só consigo emprego após o Carnaval? - não é bem assim... Muitas empresas usam verbas em dezembro para contratações, pois sabem que as mesmas não estarão mais disponíveis em 2017. Da mesma forma, muitas empresas acabam contratando logo no início do ano, pois como já conseguiram a verba no orçamento de 2017, não querem perder tempo. Logicamente fica tudo um pouco mais complicado nesta época, pois gestores costumam estar viajando, mas lembre-se de que gestores ou executivos estrangeiros estão em pleno inverno e não costumam tirar férias mais longas do que uma semana nesta época do ano. Muitas são minhas clientes e querem entrevistar candidatos em janeiro. Vá viajar e descansar a cabeça, mas mantenha seu celular em mãos. Já deixei de considerar candidatos nesta época do ano por não conseguir falar com eles.

No geral, gostaria de reforçar a mensagem de que o mercado segue melhorando sensivelmente, desejando boa sorte e sucesso para todos que em breve vão encontrar seu novo lar. Sucesso!

André Freire é Sócio-Diretor da consultoria de Executive Search e de Desenvolvimeto de Lideranças EXEC. Também é Conselheiro de Administração, Coach de empreendedores, executivos e jovens herdeiros, sócio do YPO – Young Presidents Organization e professor da FGV na cadeira de Gestão Estratégica de Pessoas. Mora em Alphaville há 31 anos.

Vida Corporativa Plena
com André Freire
Comentários