Você bebe uma água de qualidade?
   
     
Certo dia, estava na academia que costumo frequentar e, após uma sequência de exercícios, fui, como de costume, tomar água com alguns colegas. Notei a grande quantidade deste líquido que é consumido, tendo em vista a necessidade de reposição hídrica. Como o garrafão estava praticamente vazio, foi solicitada para um funcionário a reposição. Este funcionário é encarregado da limpeza, que vai desde sanitários, pisos e até equipamentos para ginástica. Neste momento, ele retirou o vazio, foi buscar um garrafão novo, tirou o lacre e, sem ter lavado as mãos, segurou o bocal (que também serve de apoio) e virou dentro de um reservatório de água, no bebedouro, no qual este bocal fica imerso. Minha imaginação começou a rolar e lembrei que, qualquer microrganismo que estivesse no piso, panos, equipamentos de ginástica (ex. tatames), passaria para as mãos deste funcionário, indo para o bocal e chegando à água. Como esta água não tem nada para impedir o crescimento destas bactérias, elas poderiam se multiplicar e levar a riscos à saúde.
 
 
A água é responsável, no mundo, por 25% dos leitos hospitalares. No Brasil, estes índices chegam a 65% das internações. Daí já se calcula o risco representado por uma água contaminada.

Normalmente, tomamos água de garrafões porque não confiamos no caráter de potabilidade da água de abastecimento público. No entanto, apesar de esta água apresentar características adequadas, as companhias de abastecimento somente se responsabilizam até o cavalete (entrada), após isto, a responsabilidade é do usuário. As caixas de água têm de ser higienizadas até um máximo de seis meses. Veja bem, em até seis meses, e não de seis em seis meses. Existe uma grande diferença. Você pode ter higienizado sua caixa hoje e amanhã cair um rato dentro do reservatório e ocorrer a necessidade de uma nova higienização.

Mesmo após a higienização efetuada, há a necessidade de proteção contra a entrada de insetos, roedores, morcegos e outras pragas, isto sem falar ainda no risco do contato da água com o amianto, que pode fazer parte da constituição de muitas caixas. Este risco é resolvido com a instalação de forrações plásticas, comumente conhecidas como “camisinhas de caixa d’água”, que mantém a água protegida pelo menos por seis meses.

Com relação aos garrafões dos bebedouros, é indicada a adição de cloro (água sanitária de boa procedência), no volume de uma gota por litro de água. Deste modo haverá uma proteção contra possíveis contaminações oriundas dos manipuladores e de utensílios contaminados.
 
 
Característica da água

A água deve ser analisada segundo três grupos de características principais:

Características físicas:


Cor: indica a presença de substâncias de natureza orgânica (taninos, produtos de decomposição de lignina, lignina) ou inorgânica (íons férricos e humatos férricos). Podem manchar materiais, como tecidos, dificultando processos industriais além de ocasionar certa repulsa (aspecto sujo) da água.

Turbidez:
diz respeito à presença de qualquer material em suspensão na água como, por exemplo, sílica. Também podem dar um aspecto não limpo à água.

Odor e sabor: legislativamente, tanto o sabor quanto o odor devem ser “NÃO OBJETÁVEIS”. O que quer dizer isto? Não devem apresentar nem odor, nem sabor algum, ou apenas leve odor de cloro que é utilizado para tratamento.

Principais características químicas


Dureza:
trata-se da presença de sais de cálcio e magnésio incorporados na água pela sua passagem no solo. Não apresenta problemas maiores quando o assunto é potabilidade, no entanto, quando o assunto é processo industrial, sem dúvida deve ser tratado com uma série de ressalvas, pois, em temperaturas elevadas, tendem a formar incrustações sendo perigosos para caldeiras, tempo e “vida útil” de máquinas de lavar, precipitado em bebidas aquecidas (chás, p.ex.). Reagem com sabões e detergentes reduzindo suas funções básicas.

Acidez e alcalinidade: a primeira é representada pelos teores de dióxido de carbono livre, ácidos minerais e orgânicos, também sais de ácido fortes, os quais, por dissolução, liberam íons de hidrogênio para a solução. Qualquer tipo de acidez apresenta o inconveniente da corrosividade. A alcalinidade geralmente é devida a carbonatos, bicarbonatos e hidróxido de cálcio, magnésio, ferro, sódio, manganês, podendo apresentar os mesmos problemas de águas duras em sistemas de geração de vapor. Os bicarbonatos podem liberar gás carbônico quando submetidos às altas temperaturas em caldeiras. A alcalinidade cáustica, causada pela presença de hidróxidos, é prejudicial ao organismo e aos equipamentos.

Ferro e manganês: estes sais podem se oxidar formando depósitos e crostas. Principalmente o ferro pode alterar a cor da água dando-lhe um aspecto “sujo”, podendo interferir em processos industriais, por exemplo, manchando tecidos e, dependendo da quantidade, diminuir bastante o tempo de vida útil de filtros. Reage com Cloro Residual Livre, diminuindo significativamente os teores. Pode agir como protetor para microrganismos, servindo como base para o crescimento de ferrobactérias.
 
 
Cloro Residual

O cloro é utilizado como meio barato e eficiente para desinfecção e manutenção da qualidade microbiológica da água.

Características microbiológicas


Contagem padrão em placas de bactérias aeróbias mesófilas:
esta pesquisa demonstra a qualidade da água no que diz respeito à microbiologia. Pode indicar a necessidade, por exemplo, de cloração, recloração, limpeza de reservatórios, proteção do sistema, além de indicar a qualidade higiênica de águas (minerais, por exemplo) e gelo.

Bactérias do Grupo Coliforme (Coliformes Totais):
o termo habitual coliforme compreende E.coli e diversas espécies pertencentes a outros gêneros da família Enterobacteriaceae. Praticamente falando, os coliformes são microrganismos que se detectam pelas “provas para coliformes”.

Coliformes de origem fecal:
os “Coliformes Fecais” compreendem um grupo de microrganismos selecionados por incubação de inóculos (porção de microrganismos transferidos) procedentes do caldo (meio de cultura líquido) de enriquecimento de coliformes a temperaturas superiores às normais (44-45ºC, dependendo do método). Tais cultivos de enriquecimento contêm geralmente uma alta porcentagem de E.coli e são, por isto, indicadores de uma provável contaminação de origem fecal da água.